10 perguntas para Greg Furman CAROLINA GUERRA

Fundada em 1994 por Greg Furman, antigo relações-públicas de empresas da indústria do petróleo, o Luxury Marketing Council (LMC) é uma organização que reúne dois mil presidentes e diretores de 875 empresas de luxo, como, por exemplo, a joalheria Cartier e a casa de leilões Sotheby's, espalhadas por 32 cidades nos EUA, Europa, Índia, Emirados Árabes e Brasil. Em uma época de crise, em que a ostentação está em baixa, Furman prega que a única solução para as grifes é serem socialmente responsáveis. A seguir, a entrevista que ele concedeu à DINHEIRO:
DINHEIRO - Com a crise financeira, o que muda no mercado de luxo?
GREG FURMAN - Em uma economia recessiva, em que as pessoas estão começando a usar o termo luxury shame (termo em inglês que se refere ao constrangimento pela ostentação), é importante que as marcas se tornem socialmente responsáveis. Muitas delas já fazem isso, mas elas devem divulgar.
DINHEIRO - O que as marcas devem fazer?
FURMAN - Devem assumir suas responsabilidades nos âmbitos social, econômico e político. Ninguém quer que vestidos de alta-costura sejam produzidos por crianças em um porão qualquer.
DINHEIRO - O que acontecerá com as marcas que não ficarem mais conscientes?
FURMAN - As grifes que não se adequarem terão dificuldades.
DINHEIRO - E quanto àquelas cuja mudança for só aparente?
FURMAN - Não se engana o consumidor com publicidade. O público logo descobrirá se uma campanha de marketing corporativo não for baseada em fatos reais e perceberá se o produto ou serviço oferecido não refletir o que a empresa prega.
DINHEIRO - O sr. acredita que os clientes não se importarão em pagar mais por um produto só porque ele é social e ecologicamente correto?
FURMAN - Acredito, as pessoas pagam. Pesquisadores do Harvard Club iniciaram um estudo com carvão. Eles puseram dois tipos à venda, um com selo ecológico e outro sem, pelo mesmo preço. O que tinha o selo vendeu 15% a mais. Em um segundo momento, o preço do carvão certificado subiu e as vendas foram 37% maiores do que o carvão comum. Essa tendência veio para ficar.
DINHEIRO - As corporações estão dispostas a mobilizar recursos para adaptar seus produtos?
FURMAN - A mudança custa caro, mas no longo prazo será melhor para os negócios, para os consumidores e para o mundo. A Montblanc, por exemplo, é uma das empresas que têm uma das culturas corporativas mais sensíveis a essa questão.
DINHEIRO - Como o LMC trabalha isso com as empresas associadas?
FURMAN - Nós ajudamos as empresas associadas a serem mais eficientes. Fazemos 40 eventos por ano nos quais reunimos economistas, autores, consultores e futurólogos que discutem todas as possibilidades do mercado. Isso ajuda as empresas a tomar suas decisões.
DINHEIRO - Como será o luxo daqui para a frente?
FURMAN - Sempre haverá pessoas dispostas a pagar pelo melhor do melhor. Isso não vai mudar. Em alguns mercados emergentes ainda é importante o tamanho da marca. Já nos Estados Unidos, Europa e Japão, o futuro aponta para produtos e serviços que proporcionem bem-estar. Por isso alguns hotéis design estão parecidos com monastérios.
DINHEIRO - Uma grife de luxo deve se mostrar sempre presente na mídia ou ser mais discreta?
FURMAN - As marcas mais eficientes entram com uma estratégia diferente conforme o mercado. Nos Estados Unidos o marketing de grifes de luxo está saindo dos veículos de massa e caminhando para os nichos, como meios de comunicação especializados.
DINHEIRO - Uma produção em massa combina com uma grife de alto padrão?
FURMAN - Não combina. A definição de Stanley Marcus (herdeiro da rede de lojas de departamento de luxo Neiman Marcus) é a que se encaixa melhor para essa questão. Ele sempre defendeu que luxo é o que a mente dos homens pode imaginar e a mão do homem pode fazer. Ou seja, é um trabalho manual, isso é a essência do luxo.
" Ninguém quer que vestidos de alta-costura sejam produzidos por crianças em um porão" |