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O FUTURO DA ENERGIA
Um setor ligado na tomada
Megaobras nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia devem injetar R$ 759 bilhões na economia e garantir a independência energética do País

Por Rosenildo G. Ferreira

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ARTE: ANDERSON CATTAI

O SETOR ENERGÉTICO brasileiro vive uma espécie de período de ouro. É o maior beneficiário do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e os investimentos nesta área deverão somar R$ 759 bilhões até 2012, contemplando os segmentos de energia elétrica, petróleo e gás. Desse montante, cerca de R$ 300 bilhões serão alocados apenas no quadriênio 2007-2010. Essa conta inclui dezenas de usinas hidrelétricas, linhas de transmissão, prospecção e exploração de novos campos de petróleo e gás, além de fontes alternativas e renováveis como fazendas de energia eólica e termelétricas movidas a bagaço de cana. Trata-se de um movimento que não se via desde as décadas de 1970 e 1980 e que foi encerrado em 1984, com a inauguração da última grande obra do setor, a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, situada no rio Tocantins (PA). "O Brasil recuperou a capacidade de planejamento de longo prazo nesta área", destaca Walter De Vitto, analista de energia da Tendências Consultoria. Era investir ou investir. Afinal, desde 2001 o risco de novos apagões passou a assombrar a economia brasileira. Uma característica importante dessa nova safra de investimentos é o "caráter verde" de grande parte dos projetos. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 45% da energia consumida hoje no Brasil provém de fontes renováveis (hidrelétrica e derivados de cana-de-açúcar, por exemplo). Apenas para efeito de comparação, a média mundial nesse quesito é de apenas 10%, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). E o Plano Decenal de Expansão de Energia 2008/2017, elaborado pela EPE, indica que o objetivo é fortalecer ainda mais essa vertente (veja gráficos à página 78).

45% da energia consumida em 2007, no Brasil, foi obtida de fontes renováveis

Isso coloca o Brasil em uma posição privilegiada em um momento no qual as teses sobre o fortalecimento das opções ecologicamente sustentáveis ganham força no mundo. Um movimento que vem sendo incentivado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. E é neste contexto que cresce a importância de algumas iniciativas 100% brasileiras como o etanol. Seu uso mais consagrado é no tanque dos veículos. Contudo, o ciclo de produção da cana-de-açúcar também está garantindo outros dividendos energéticos. É que cada vez mais o bagaço da cana e os restos de produção são usados para alimentar caldeiras a vapor que geram energia elétrica. A utilização da biomassa, que inclui palha de arroz, restos de eucalipto e palha de soja, foi contemplada no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa). No período 2007-2009 entraram em operação 42 usinas movidas a biomassa, energia eólica, além das Pequenas Centrais Elétricas (PCHs). "A biomassa é a bola da vez no Brasil. É um resíduo que existe em larga escala e que pode garantir uma fatia importante da necessidade energética do País", avalia De Vitto, da Tendências.

O plano estratégico do setor energético, elaborado em 2004, introduziu ainda alguns elementos considerados vitais para transformar esse segmento em uma opção de investimento para a iniciativa privada. Um deles é o leilão de energia. Esse mecanismo garante o abastecimento futuro de grandes consumidores a um valor prédefinido. Em contrapartida, ajuda a gerar parte dos recursos para a construção da obra. Foi isso que incentivou a franco-belga Tractbel a antecipar, em dois anos, o término da construção da Usina Hidrelétrica de São Salvador, situada no Tocantins. O projeto de R$ 848 milhões ficou pronto em 32 meses. Como sua entrada no sistema energético integrado só se dará em 2011, a energia gerada até lá poderá ser vendida no mercado livre por um valor até melhor que a cotação média do megawatt- hora. Postura semelhante será adotada pela Tractbel no caso da Usina Hidrelétrica de Estreito, também no Tocantins. A meta é finalizar a obra, orçada em R$ 3,6 bilhões, em 2010, dois anos antes do previsto em contrato.

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