Lucrar é possível HSBC tem ganho recorde no Brasil, mas adverte: o crédito não será mais o mesmo
ANA CLARA COSTA, DE LONDRES

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EM MEIO A TANTOS BAlanços catastróficos pelo mundo, o HSBC divulgou seus resultados de 2008 na segunda-feira 2 e causou alvoroço. Mesmo com o lucro líquido de US$ 5,7 bilhões, a decisão de encerrar as operações da Household, sua financeira norte-americana, provocou um efeito negativo sobre as bolsas da Europa, EUA e Hong Kong. O ato gerou uma redução de US$ 10 bilhões no lucro de 2008 do banco. No entanto, no Brasil, as nuvens não são tão pesadas. O HSBC anunciou lucro líquido recorde de R$ 1,35 bilhão, impulsionado principalmente pelo aumento de 27% da carteira de crédito. O resultado, 9% maior que em 2007, reforça sua posição no País. Segundo Shaun Wallis, presidente do HSBC Brasil, o banco não medirá esforços para se desenvolver em todos os segmentos. Adverte, porém, que não há a intenção de competir com os concorrentes nacionais. "Não sairemos por aí dando crédito. Para nós, crédito não é commodity. Preferimos estreitar nossa relação com os clientes que já temos do que buscar outros oferecendo crédito em troca", disse Wallis no dia do anúncio do balanço.
A carteira de crédito no Brasil não deverá diminuir. Mas o banco terá mais cuidado tanto na concessão de empréstimos como nos gastos e em possíveis novas aquisições. A compra das operações do Citi no Brasil foi negada. No entanto, o banco anunciou uma captação de US$ 17,7 bilhões em novas ações. E tudo indica que o objetivo dessa quantia seja a aquisição de ativos de outros bancos. Stephen Green, CEO do HSBC Holding plc, confirmou. "Estamos captando para comprar, mas não sabemos ainda quando será o bom momento", disse. Especula-se que o destino da compra seja a Ásia, especificamente as operações do Royal Bank of Scotland naquele continente. Outras áreas na mira do banco no Brasil são a de investment banking e a entrada no mercado de IPOs, quando a crise vislumbrar um fim. Wallis não negou o interesse do banco em preparar novas emissões acionárias de grandes empresas no Brasil. "Fizemos um road show com a Petrobras e conseguimos ótimos resultados ", afirmou.

Conhecido por crescer por meio de novas aquisições, o banco pretende se contentar com o crescimento orgânico no Brasil, pelo menos por enquanto. "Nesse momento, nosso foco é a liquidez. Queremos aumentar os depósitos", afirmou Wallis. Controle no crédito, acúmulo de caixa e venda de operações não-lucrativas são as diretrizes tomadas pelo HSBC para passar pela crise. O próprio Michael Geoghegan, CEO do grupo, afirmou que a Household acabou porque sua operação era inviável. "Não conseguimos lucro nas operações da Household ", confessou Geoghegan. Enquanto isso, o Brasil, que foi responsável por 9,7% do lucro bruto do banco em 2008 e se tornou o maior peso latino-americano nos resultados, aguarda o próximo passo do HSBC. Resta saber até quando o crescimento orgânico por aqui satisfará as necessidades de lucro do banco inglês. |