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Banqueiro pela terceira vez
Fundador do Garantia e do Pactual, Luiz Cezar Fernandes aproveita a crise dos bancos internacionais para comprar a operação brasileira do Dresdner Bank. O que ele quer com isso?

LEONARDO ATTUCH

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CALÉ

EM 1971, A BOLSA DE VALOres de São Paulo sofreu um dos maiores tombos de sua história. Naquele ano, o empresário Luiz Cezar Fernandes decidiu abandonar sua carreira no Bradesco para, ao lado de Jorge Paulo Lemann, fundar o lendário Garantia. Doze anos depois, em 1983, o Brasil também estava em crise. Havia acabado de decretar a moratória da dívida externa, mas, ainda assim, Cezar quis dar uma guinada em sua vida. Juntou-se a dois amigos - o economista Paulo Guedes e o financista André Jacursky - para criar o Pactual, outro banco que fez história. Agora, em meio a uma baforada e outra do seu inseparável cachimbo, ele se prepara para ser banqueiro pela terceira vez. E, de novo, em pleno crash financeiro. Numa operação de US$ 100 milhões, Cezar acaba de comprar a operação brasileira do Dresdner Bank, um banco de investimentos de origem alemã com cerca de R$ 2 bilhões em ativos no País. "A crise é o melhor momento para quem quer investir", disse ele à DINHEIRO, de Trancoso, no litoral baiano, onde passou o Carnaval. Eram os últimos dias de descanso antes de muito trabalho. Na segunda-feira 2, ele deve assumir o comando do banco, na avenida Faria Lima, em São Paulo, e se apresentar aos 78 funcionários do Dresdner. Ele imagina que, em um ou dois anos, terá um time de 250 pessoas. "Ainda vão surgir muitas oportunidades, em vários setores da economia brasileira."

LUIZ CEZAR FERNANDES: empresas com dificuldade de crédito estarão na sua mira para eventuais aquisições

O novo banco será rebatizado como MTT - M de Marambaia, nome da fazenda onde Cezar cria suas ovelhas, na serra do Rio de Janeiro, e TT de Tetto, empresa do financista Eugênio Holanda, que será sócio no projeto. Um dos principais focos do banco será a reestruturação de empresas. Cezar avalia que muitas companhias terão dificuldade de crédito e precisarão negociar dívidas em relação aos bancos. Algumas poderão até passar por processos de recuperação judicial, o que, em muitos casos, é feito com a ajuda de parceiros da área financeira. O criador do Pactual também estuda lançar fundos para aproveitar a volatilidade das bolsas. "Nossa vantagem é que, ao contrário dos concorrentes, não carregamos nenhum passado", diz ele. "As oscilações bruscas podem gerar ganhos expressivos, mesmo num cenário de queda do Ibovespa." Outro alvo do banqueiro é a eventual aquisição de empresas estrangeiras em dificuldades em seus países de origem - em especial, companhias americanas. Ele também pensa em criar parcerias limitadas, atraindo executivos consagrados que não seriam sócios diretos do banco, mas que estariam associados em alguns projetos. Cezar, enfim, voltou.

 


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