Oportunidade de ouro A corrida dos investidores pelo metal faz a cotação superar US$ 1 mil por onça-troy no Exterior. Você já garantiu a sua barrinha?
MÁRCIO KROEHN

 |
OS NEGÓCIOS COM O OURO SOMARAM R$ 189,3 MIL EM JANEIRO NA BM&FBOVESPA
|
DIZ O DITADO QUE NEM tudo o que reluz é ouro. As bolsas de valores mundiais e os fundos de investimento sabem bem disso. Nesses tempos de baixa confiança no mercado financeiro e aversão ao risco, a cotação das ações das empresas caminha de lado e os únicos fundos bem-vistos são aqueles que têm o metal preciso como referência. Muito comuns lá fora, os fundos de ouro têm 1,4 mil toneladas sob seus domínios. Há duas semanas, um deles superou as 970 toneladas de reservas e ultrapassou a Suíça, a sexta maior dona do metal no mundo. Toda essa corrida vem promovendo a valorização da commodity no Exterior. Medido em onças-troy (cerca de 31 gramas), o ouro na bolsa de Nova York subiu mais de 25% desde outubro de 2008, quando a economia global derreteu. Em um ano, a valorização supera os 75%. É questão de dias para o ouro bater o recorde de US$ 1.030 de março passado. Na sexta-feira 20, chegou a ser negociado a US$ 1.006 antes de fechar em US$ 1.002. E não é só o mercado internacional que se interessa pelas barrinhas no cofre. Na terça-feira 17, a BM&FBovespa experimentou a segunda pior queda do ano, com baixa de 4,7%, enquanto o ouro nos mercados à vista e de derivativos somava 24 negócios, acima da média de 20 negócios de janeiro.
O que diferencia a valorização atual do ouro é a corrida do mercado financeiro. Historicamente, a indústria joalheira e os abastados sheiks do Oriente Médio são os maiores consumidores do ouro. Por isso, o preço sempre esteve ligado à valorização do petróleo. Quando o ouro negro subia, os petrodólares eram despejados para enfeitar palácios e servir de reserva de valor. Nos países árabes, o ouro ainda serve de lastro para suas moedas. Desta vez, porém, o petróleo vale US$ 40 e o ouro não se cansa de subir. "O investidor está em busca de proteção para o seu investimento e não da rentabilidade", diz André Nunes, presidente da corretora Fitta, especializada nesse mercado. "O ouro não paga juros, mas protege o capital", completa. Desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro, a procura na Fitta aumentou 50%.

A bolsa brasileira é a única onde se negocia o ouro à vista no mundo. E com a possibilidade de receber a sua barra no dia seguinte à compra. Porém, não é comum sair com ela debaixo do braço. A opção é deixar o ouro sob custódia, como são feitas com as ações. O Banco do Brasil, por exemplo é um dos maiores custodiantes do metal. Quem se interessar por esse investimento precisa lembrar que a negociação só pode ser feita por meio de uma corretora. Com três tamanhos disponíveis e indivisíveis, a barra de 250 gramas exige um desembolso de R$ 18 mil. Para ajudar a popularizar a compra, a Bolsa criou há alguns anos os tamanhos de 10 gramas e 0,225 gramas. O volume financeiro, no entanto, ainda é pequeno -- em janeiro, foi de R$ 189,3 mil.
Se o preço já está próximo do recorde, é o momento do investidor comprar ouro? O metal não paga dividendos, como as ações, mas sempre dispara em períodos de turbulência global. Com a claudicante economia mundial mantendo os soluços e sem sinais de melhora, a expectativa é que o metal se valorize ainda mais e seja o ativo financeiro com o maior retorno neste ano. Há quem enxergue o preço muitas vezes acima do negociado atualmente. "Com a falta de confiança no mercado financeiro, o ouro pode voltar a servir de lastro para a emissão de moedas", diz Aquiles Salerno Júnior, consultor da Ourominas. |