Os vikings tinham razão Modelo sueco para enfrentar a crise bancária começa a ganhar corpo e passa pela estatização temporária dos bancos
LEONARDO ATTUCH

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UMA HERESIA ECONÔMICA começou a tomar corpo na semana passada. Chamada pelos americanos de "n-word" - a palavra n, algo que não se pode sequer pronunciar -, trata-se da nacionalização pura e simples dos bancos em dificuldades. A solução foi adotada na Suécia em 1991 e 1992, quando o país nórdico também enfrentou uma crise bancária. Com a estatização, o governo assumiu os créditos podres, limpou os balanços das instituições financeiras e, em seguida, vendeu o controle a investidores privados. O custo dessa intervenção, à época, foi de quase 10% do PIB sueco. Logo depois de assumir seu mandato na Casa Branca, o presidente Barack Obama negou que pudesse nacionalizar as instituições financeiras. Disse que o modelo sueco, onde existiriam cinco ou seis bancos, não seria aplicável aos Estados Unidos. Mas o fiasco do plano anunciado há duas semanas por seu secretário do Tesouro, Timothy Geithner, pode levá-lo a pensar em alternativas radicais. Na essência, o plano de Geithner era uma tentativa de se encontrar uma solução privada para bancos que carregam US$ 2 trilhões em papéis tóxicos. Como não funcionou, o governo Obama vem sendo cada vez mais pressionado a adotar a palavra n. Os defensores da estatização temporária vão desde economistas ligados à esquerda, como o "Dr. Apocalipse" Nouriel Roubini e o Nobel Paul Krugman, até velhos liberais, como o presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan. Na quarta-feira 18, em entrevista ao Financial Times, Greenspan defendeu a estatização temporária, mas como algo que só pode ser feito a cada 100 anos.
Obama ainda terá tempo para pensar, mas o prazo para que ele encontre uma solução é cada vez mais curto.
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Na semana passada, as ações do Citibank e do Bank of America aproximaram- se do chão. Os papéis já eram negociados como se não houvesse saída para os maiores bancos dos Estados Unidos. Mesmo no mercado financeiro, a ideia da estatização ganhou adesões. O investidor Mark Mobius, gestor da Templeton, também defendeu que os governos assumissem o controle total dos bancos. E foi exatamente isso o que começou a acontecer na Alemanha, quando a primeira-ministra Angela Merkel aprovou uma lei abrindo caminho para a estatização. O alvo é o banco Hypo Real State Holding, que é a principal instituição financeira alemã com foco no crédito imobiliário. Ela recebeu aportes oficiais superiores a US$ 63 bilhões do governo alemão, mas não para de apresentar prejuízos, da ordem de US$ 4 bilhões por trimestre. Se a nacionalização vier a se confirmar, será a primeira desde 1930. Pelo que se vê na Alemanha e nos Estados Unidos, a inspiração para os próximos capítulos da crise global pode vir da terra dos vikings. |