O jeito eficiente de fazer o bem Gestão empresarial, busca de resultados, inovação e parcerias com grupos privados. Com essa receita, um grupo de executivos está mudando a cara da filantropia
Por Amauri Segalla e Claudio Gatti (fotos)

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Graacc
Receitas: R$ 13 milhões Parcerias: McDonald's, Bradesco, Suzano, Biolab Pessoas atendidas por ano: 15.500 |
EM 1978, O MÉDICO SÉRGIO PETRILLI postou-se diante da mulher e disse que iria para os Estados Unidos. Nos quatro anos anteriores, ele trabalhara na área de oncologia de hospitais públicos de São Paulo. Havia sido uma experiência difícil. Naquela época, a chance de sobrevivência de crianças com câncer não passava de 20%. Eram tantas que muitas ficavam nas enfermarias, atendidas por profissionais que às vezes não sabiam o que fazer. E o que é pior: sozinhas. Os pais, impedidos de acompanhar os entes queridos, acomodavam-se em precárias pensões da vizinhança. O médico perdeu muitos pacientes, mas vê-los morrer a sós no canto de uma enfermaria era ainda mais doloroso. Por isso decidiu ir para o Exterior. "Eu queria desesperadamente descobrir como os americanos tratavam seus pacientes com câncer e trazer esse conhecimento para o Brasil." Convocou a mulher e os dois filhos pequenos, vendeu um automóvel Maverick e uma Brasília, que era tudo o que tinha, e partiu. Nos Estados Unidos, empregou- se no Centro Memorial de Câncer Sloan- Ketting, em Nova York, referência mundial na área. Ficou lá por três anos antes de voltar ao Brasil e provocar uma revolução.
"O Graacc combina três elementos essenciais para o sucesso de uma instituição filantrópica: administração profissional, expertise científica e envolvimento emocional de seus colaboradores" |
Sérgio Petrilli, criador do Graacc |
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AACD Receitas: R$ 136 milhões Parcerias: Unibanco, SBT, Riachuelo e Estrela Pessoas atendidas por ano: 626.000 |
Petrilli é hoje o superintendente do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), o maior e mais respeitado instituto para o tratamento de câncer do Brasil. Ele criou o Graacc. Fez mais do que isso. Em vez de adotar o modelo assistencialista tradicional, trouxe para o País conceitos que até então só eram adotados em nações desenvolvidas. O Graacc é uma empresa. Ele gera recursos próprios, tem gestão profissional e está preocupado em crescer e abrir novas frentes de trabalho. Seus funcionários são cobrados por resultados, o que numa instituição como o Graacc significa aumentar o índice de cura dos pacientes e a melhoria de sua qualidade de vida. Como numa corporação de ponta, a busca pela inovação é obsessiva. O Graacc lidera no Brasil um grupo que pesquisa o uso de células-tronco para o tratamento de alguns tipos de câncer, um dos grandes desafios da ciência moderna. No mundo corporativo, o sucesso é traduzido em lucros. No Graacc, em vidas. Graças à evolução dos tratamentos, que Petrilli ajudou a solidificar, quase 70% das crianças e dos adolescentes que passam pela instituição saem de lá curados. É o mesmo índice observado nos países desenvolvidos. Petrilli faz parte de uma geração de empreendedores que direcionaram seus esforços para praticar o bem. Para essa turma, o dinheiro, o sucesso profissional, a vaidade por um trabalho benfeito não fazem sentido se não tiverem como fim o auxílio ao próximo.
"Quando me tornei presidente da AACD, fui criticado por buscar resultados financeiros. Mas só com dinheiro em caixa é possível ampliar o atendimento e criar novos serviços aos deficientes" |
Eduardo Carneiro, presidente da AACD |
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