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Os bancos no banco dos réus
Clientes processam instituições financeiras para reaver investimentos que viraram pó na crise

MÁRCIO KROEHN E MILTON GAMEZ

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EZEQUIEL NASSER ACUSA A MERRILL LYNCH DE FRAUDE. COMO PROVA, EXTRATOS DUPLOS DE SEUS FUNDOS, COM NÚMEROS DIFERENTES

RENATO MALZONI: funcionário da Merrill Lynch também é alvo das acusações de Nasser

O EX-DONO DO BANCO EXCEL ECONÔMICO, EZEQUIEL NASSER, É UM investidor milionário e experiente. O advogado Raphael Lunardelli Barreto é um pequeno investidor que começou a aplicar em ações. O que ambos têm em comum? Aparentemente nada, a não ser uma paixão enorme por correr riscos no mercado financeiro. Pois ambos são exemplos extremos de um tipo de investidor que se prolifera pelo mundo pós-crise do subprime: o cliente revoltado. Eles não se conformam com as perdas que tiveram no ano passado, acusam os bancos e corretoras de má gestão dos recursos e lutam na Justiça para receber o dinheiro de volta. O caso de Nasser é o mais ruidoso, com repercussão internacional. Ele briga na Justiça de Nova York contra a Merrill Lynch, poderosa instituição que afundou na crise do subprime (empréstimos de alto risco) e acabou sendo comprada pelo Bank of America sob os auspícios do governo americano. Nasser quer receber US$ 612 milhões da Merrill Lynch para cobrir os prejuízos de seus fundos de investimento e os danos à sua empresa, a gestora Excel Wealth Management.

"Fomos roubados e vamos brigar até o fim", afirmou Nasser, em entrevista à DINHEIRO (leia os principais trechos na página 82). Quatro de seus fundos viraram pó na esteira da quebra do banco Bear Stearns, em março passado. As carteiras, geridas por Nasser, por seu filho Raymond e por seu tio, Albert, faziam aplicações no arriscado mercado de opções de ações americano por intermédio da Merrill Lynch em Nova York e São Paulo. Dentre os contratos preferidos, estavam as opções de venda de papéis do Bear Stearns. Quando as ações do Bear Stearns caíram de US$ 60 para US$ 2 (preço oferecido inicialmente pelo Bank of America), os fundos derreteram e foram liquidados pela Merrill Lynch.

Segundo Nasser, a liquidação ocorreu de forma fraudulenta e com a apropriação indevida de recursos usados para dar garantia às opções e com a reversão não-autorizada de operações de swap (trocas de índices), que rendiam cerca de US$ 25 milhões por ano aos fundos. Até hoje os documentos com relação a essas liquidações não teriam sido apresentados. Sete funcionários da Merrill Lynch ligados ao caso foram demitidos. Nasser susno tenta que o dinheiro dos fundos era de seus clientes e que não descansará enquanto eles não forem ressarcidos.

BUTORI E BARRETO: extrato mostra tamanho do tombo em movimentações sem autorização do cliente

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