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Exxon reacende no Brasil
Com a descoberta de petróleo em campo do pré-sal, a gigante americana afasta as dúvidas sobre sua permanência no País

JOSÉ SERGIO OSSE

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EM ABRIL DO ANO PASsado, a permanência da Exxon- Mobil no mercado brasileiro parecia estar com os dias contados. Na ocasião, por US$ 826 milhões, a gigante do setor de petróleo vendeu a Esso, junto com seus mais de 1,5 mil postos, para a brasileira Cosan. Nove meses depois, no último dia 16, a empresa deu sinais de que seu interesse pelo Brasil está longe de terminar. Num comunicado técnico à Agência Nacional do Petróleo (ANP), informou ter encontrado vestígios de petróleo em três poços perfurados em alto-mar, a 275 quilômetros de Santos. Uma minúscula nota na página eletrônica da ANP dá conta do achado. A repercussão, porém, tem sido enorme. Tudo se explica pelo próprio perfil da Exxon. Maior empresa de petróleo do planeta, ela declaradamente só se interessa por projetos muito grandes. Segundo o especialista em petróleo e pesquisador do Coppe Giuseppe Bacoccoli, das duas uma: ou a descoberta da Exxon tem tamanho semelhante ao de Tupi, por estar em região similar, ou ela é muito maior, abrangendo todo o pré-sal. Em Tupi, a Petrobras afirma existir entre seis bilhões e oito bilhões de equivalentes de barris de petróleo. Para o pesquisador, a primeira hipótese é a que deve se confirmar.

Agora começa o processo de delimitação do campo para determinar o tamanho exato das reservas encontradas. Caso a Exxon se convença de que é viável explorar a área, a produção em ritmo normal só deve ocorrer em 2015, mesmo ano em que a Petrobras começará a produzir no pré-sal. A expectativa é de que o novo campo eleve ainda mais o nível de investimentos no Brasil, pois será necessário prover navios, plataformas e pessoal para explorá- lo. "Ele também pode ser uma dor de cabeça para o governo. Essa descoberta pode prejudicar os planos brasileiros de mudar o marco regulatório do setor", diz Bacoccoli. A mudança elevaria as receitas com a exploração das reservas nacionais. "A Exxon não deve aceitar, mas insistir nos termos do contrato atual", acrescenta. Isso dará força para outras empresas que têm participações minoritárias nos outros campos do pré-sal em que a Petrobras é majoritária.

 


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