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Fechou? Abriu? Ninguém sabe
Numa trapalhada, o País burocratiza as importações e depois volta atrás

GUSTAVO GANTOIS

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DUROU MENOS DE TRÊS dias a maior trapalhada comercial do governo Lula. Anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento na surdina, a exigência da licença prévia para a importação de três mil itens mostrou a face protecionista de um governo que prega, em todos os fóruns mundiais, a liberalização do comércio global. Aventada como uma tentativa de melhorar o monitoramento das compras externas, que vêm crescendo mais do que as vendas, a medida afetou diretamente a indústria. Na terça-feira 27, um dia após a instituição da licença de importação, as empresas começaram a apresentar problemas na produção. A Robert Bosch, por exemplo, paralisou algumas de suas linhas porque mercadorias ficaram paradas em portos e aeroportos. "Dependemos de vários insumos importados de alta tecnologia e, com a crise, estamos trabalhando com inventários ainda mais baixos para manter custos e a competitividade", explica Anselmo Félix Riso, gerente de Logística da Bosch. "Essa decisão elevou entre 5% e 10% os custos de importação."

Outra empresa afetada foi a Black & Decker. Para a fabricante de eletrodomésticos, a exigência das licenças significou entraves à linha de produção. "Cerca de 25% do que compramos de insumos e matérias- primas é importado", diz Marcos Azevedo, gerente de Supply Chain da empresa. "Caso eles não voltassem atrás, seriam dez dias de inventário parado." Em viagem à África, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge disse ao repórter Rosenildo Ferreira que acreditava na eficácia da medida como forma de preparar o governo para uma avalanche de importações, ainda mais em razão da saúde da economia brasileira em comparação ao restante dos outros países. "Mas a histeria exagerada fez com que não prosseguíssemos na análise", justificou o ministro. O problema é que, quando o governo decidiu voltar atrás, o ministro Guido Mantega admitiu aquilo que todos os analistas já esperavam como real motivo da decisão de impor uma espécie de barreira não-tarifária. "O Desenvolvimento tomou a medida em razão do comportamento da balança comercial de janeiro", disse Mantega. Até o dia 25 de janeiro, o déficit era de US$ 645 milhões. "A crise internacional provocou redução da demanda de commodities e diminuição das exportações e causou preocupação em relação ao desempenho da balança em 2009", completou o ministro. Ainda que transitória, pareceu uma medida de desespero, que não faz sentido para um país que atrai cada vez mais investimentos externos, como é o caso do Brasil.

 


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