Anuncie
Assine Três
 
  IstoÉ Dinheiro
 
Reportagens
Imprimir
 
Um remédio para a Pfizer
Com a compra da Wyeth, o laboratório prepara-se para se tornar menos dependente de medicamentos específicos

JOSÉ SERGIO OSSE

comente a matéria

ARTE: TOLLER

UMA NUVEM PAIRA constantemente sobre a indústria farmacêutica: de tempos em tempos, a patente de um medicamento, que consumiu centenas de milhões de dólares em seu desenvolvimento, expira, cai em domínio público e as vendas secam de uma hora para outra. Foi pensando nisso que, na semana passada, a americana Pfizer anunciou a compra da compatriota Wyeth por US$ 68 bilhões, o maior negócio do setor nesta década. A ideia da Pfizer é se preparar para a queda de receita que certamente virá em 2011, quando expira a patente de seu principal remédio: o Lipitor, usado no combate ao colesterol. Só no ano passado, a empresa faturou US$ 12,4 bilhões apenas com esse medicamento. Com a incorporação da Wyeth, a Pfizer quer reforçar seu mix de produtos, especialmente nas áreas de vacinas e antidepressivos. No longo prazo, o objetivo é distribuir as receitas para que nenhum remédio responda por mais de 10% do faturamento total, disse o presidente da companhia, Jeffrey Kindler. Esse é um passo fundamental. Afinal, cresce entre acionistas e investidores a sensação de que a Pfizer investe pouco em novos produtos e depende demais de drogas cujas patentes estão perto de caducar. Kindler pede paciência, pois a melhor distribuição das receitas só deve se concretizar em 2012.

PFIZER PAGOU US$ 68 BILHÕES PELA WYETH, MAIOR NEGÓCIO DO SETOR DESDE O ANO 2000

Com a fusão, a receita anual da Pfizer irá crescer 45%. Mas nem sempre os tiros nesse setor são certeiros. No passado, a empresa gastou US$ 90 bilhões na Werner Lambert e a aposta deu certo, pois com a empresa veio o Lipitor. Por outro lado, ela comprou a Pharmacia por US$ 57 bilhões, de olho nas drogas Celebrex e Bextra. Ambas tiveram de ser retiradas do mercado, a primeira por ser semelhante ao malfadado Vioxx e a segunda por causar muitos efeitos colaterais. O negócio também desperta desconfiança interna e externa. Os trabalhadores ainda se recordam dos maus bocados que se seguiram à compra da Pharmacia - o próprio Kindler admite isso. Mas ele alega que a empresa "aprendeu com o passado" e está mais preparada para essa fusão. Os 15 mil cortes e o fechamento de cinco unidades, promovidas por ele desde 2006, teriam sido parte da preparação. Mas novos sacrifícios terão de ser feitos: outros 19 mil serão demitidos e o dividendo pago aos acionistas será cortado pela metade. O mercado reagiu mal ao negócio e as ações da Pfizer caíram 10% em Nova York no dia do anúncio. Para o público em geral, a união só trará mudanças depois de 2012, quando devem surgir as primeiras drogas desenvolvidas em conjunto pelas duas empresas. Como os investidores, os consumidores também terão que ter paciência.

 


Edição Digital
Boletim
Gratuitamente,
receba as últimas
notícias e conteúdo
exclusivo do site.


Reportagens
Imprimir
   

Busca:
Sites Editora Três

Seções
Capa | Dinheiro Investidor | Dinheiro na Semana | E-commerce | Economia | Entrevista | Estilo | Finanças | Horóscopo | Negócios | Reportagens | Especial | Artigo
Serviços
Fale Conosco | ISTOÉ Dinheiro Digital | Expediente | Anuncie | Assine
Revistas TRÊS
IstoÉ | IstoÉ Dinheiro | IstoÉ Gente | Motorshow | Planeta | Dinheiro Rural | Go Outside | Menu

Gerenciamento de Conteúdo / CMS - ContentStuff.com