Um Ermírio com papel global Sobrinho de Antônio Ermírio, José Roberto Ermírio de Moraes articula a compra da Aracruz e leva a Votorantim Celulose a uma inédita liderança mundial
AMAURI SEGALLA E TATIANA VAZ

HÁ UM MOMENTO NA VIDA DE TODO grande império empresarial em que a conquista da liderança mundial passa a ser uma obsessão. Mais do que trazer ganhos financeiros, ocupar o posto número 1 gera benefícios inestimáveis para a imagem da companhia. Dias atrás, a Toyota obteve uma exposição inédita em sua história ao se tornar a maior fabricante de carros do planeta. A Companhia Vale do Rio Doce usa o fato de ser a maior produtora de minério de ferro do mundo como uma vigorosa ferramenta de marketing. Apesar de seus números superlativos, o Grupo Votorantim, terceiro maior conglomerado do Brasil, com receitas de mais de R$ 30 bilhões e um exército de 60 mil funcionários, até agora não era o primeiro em nenhum ramo de atividade.
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| RUMO AO TOPO: presidente da Votorantim Industrial, José Roberto demonstrou ser um incansável negociador |
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Para quem atua em campos tão variados quanto siderúrgico, financeiro, energético e químico, para citar só alguns, e controla 50 empresas, estar no topo pode ser algo bastante complicado. Afinal, a companhia não concentra esforços em uma única área e, ao pulverizar sua capacidade de trabalho, acaba por perder espaço para a concorrência. Na semana passada, o Grupo Votorantim finalmente alcançou o patamar mais alto. Ao assumir o controle acionário da Aracruz, criou a maior empresa de celulose do mundo, com 12% do mercado global, 44% do europeu e 27% do americano – índices que projetam a empresa mais do que qualquer resultado econômico.
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| Plantas industriais de celulose como esta, da VCP, exigem investimentos de até US$ 2,7 bilhões. A vantagem é que, no Brasil, o custo de produção é menor |
O negócio vinha sendo costurado há dois anos por José Roberto Ermírio de Moraes, o Beto, como é chamado dentro da companhia. Presidente da Votorantim Industrial, José Roberto, 51 anos, é um herdeiro fiel do estilo da família Ermírio de Moraes. Discreto, avesso a badalações, é conhecido como um homem de poucas palavras e muito trabalho, capaz de passar 14 horas por dia no escritório, às vezes mais – um jeito de ser parecido com o de seu tio, Antônio Ermírio de Moraes, hoje presidente da Companhia Brasileira de Alumínio. José Roberto foi um dos responsáveis por transformar a VCP (Votorantim Celulose e Papel) numa das áreas estratégicas do grupo, que passou a ser tão relevante quanto os setores de metais, siderurgia e cimento, historicamente os braços fortes da Votorantim. Em agosto de 2008, José Roberto acertou os detalhes finais com a Aracruz. Em setembro, o negócio seria apresentado oficialmente, mas a crise financeira global chegou com a força de um terremoto.

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