A jovem face do Bradesco Aos 57 anos, Luiz Carlos Trabuco Cappi chega ao topo do banco, depois de colher lucros generosos na seguradora, com a missão de renovar a gestão e tentar retomar a liderança no setor bancário
MÁRCIO KROEHN E LEONARDO ATTUCH

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| TRANSIÇÃO HISTÓRICA: Trabuco será o quarto comandante na história sexagenária do Bradesco |
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ACOSTUME-SE COM ESTE NOME: LUIZ CARLOS TRABUCO CAPPI. De hoje até março de 2016, ele será um personagem central da vida econômica brasileira. Neste período, que cobre duas eleições presidenciais, Trabuco estará à frente dos maiores projetos financeiros do País, de grandes operações de crédito e suas opiniões serão seguidas de perto pelos principais líderes empresariais. Aos 57 anos, ele acaba de ser escolhido por Lázaro Brandão, presidente do conselho do Bradesco, como o quarto presidente de toda a história do banco. Por força do estatuto, ele poderá permanecer nessa função até completar 65 anos. E a julgar pelos últimos resultados da Bradesco Seguros, que Trabuco presidiu de 2003 a 2008, com lucros sempre crescentes, o roteiro já parece traçado. "É uma escolha sólida, em linha com a cultura e a tradição do Bradesco", avalia Jason Mollin, analista de bancos da Goldman Sachs. "Ele dará continuidade à saga do Bradesco e contribuirá para a modernização do sistema financeiro nacional", reforçou Fábio Barbosa, presidente da Febraban.
A sucessão na Cidade de Deus, em Osasco, onde fica a sede do Bradesco, veio sendo amadurecida ao longo dos últimos meses, mas a decisão foi finalmente tomada por Lázaro Brandão no fim do ano passado. E foi já nos primeiros dias de janeiro que "Seu Brandão", como ele é chamado no Bradesco, decidiu convidar alguns dos principais acionistas do banco para uma conversa informal. Entre um gole e outro de café, ele revelou o que já era esperado por muitos de seus interlocutores. A escolha de Trabuco, que foi comunicada na segunda- feira 12 à BM&FBovespa, à Comissão de Valores Mobiliários e à Securities Exchange Commission, nos Estados Unidos, também encerra os rumores que circularam nos últimos meses. Especulava-se que o estatuto do Bradesco poderia ser alterado para permitir que Márcio Cypriano, aos 65 anos, continuasse no comando do banco. Embora considere Cypriano um executivo "brilhante", que multiplicou o valor de mercado do Bradesco de US$ 5 bilhões para US$ 30 bilhões nos últimos dez anos, Lázaro Brandão avaliou que uma mudança estatutária representaria "quebra de contrato". Assim, Cypriano, que referendou a escolha do presidente do conselho, assumirá uma cadeira ao lado dele.
Na era Trabuco, que se iniciará em março deste ano, logo após a aprovação do seu nome pelo conselho, a expressão de ordem no Bradesco será "crescimento orgânico". É com este mantra que ele pretende motivar seus 79 mil funcionários a reconquistar a liderança recentemente perdida para o Itaú-Unibanco. Com pouco mais de R$ 422 bilhões em ativos, o Bradesco está cerca de R$ 150 bilhões atrás de seu principal concorrente e há um consenso no mercado sobre a escassez de boas oportunidades de aquisição. Uma alternativa, ainda que remota, seria a compra das operações do Citibank no Brasil, que decidiu vender vários ativos no mundo (leia mais à página 87). "O Citi não era uma compra provável, mas pela conjuntura do mercado internacional hoje é possível dizer que sim", diz Ricardo Martins, gerente de análise da Planner Corretora. Isso, porém, não seria o bastante para retomar a ponta. É por isso que a expansão orgânica será colocada como prioridade por Trabuco. Em 2009, além de reduzir tarifas para atrair novos clientes, ele pretende abrir 211 novas agências.
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| COLOSSO FINANCEIRO: o Bradesco liderou por 47 anos o ranking dos bancos privados e está determinado a recuperar o primeiro lugar |
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Com isso, ainda que seja menor em ativos, o Bradesco terá uma capilaridade maior do que o Itaú-Unibanco. A rede de agências e postos de atendimento também será superior à do Banco do Brasil, que recentemente adquiriu a Nossa Caixa e parte do Votorantim. Com ela, Trabuco poderá exercitar um de seus grandes talentos: o de vendedor. "Ele complementou sua carreira de banqueiro com uma vocação comercial descoberta na seguradora", diz Luiz de Campos Salles, ex-presidente da concorrente Itaú Seguros. Na gestão Trabuco, a participação de mercado da Bradesco Seguros também cresceu e passou de 23% a 25% do total de prêmios. "Ele integrou a rede bancária às atividades de seguro e desenvolveu produtos massificados nos quais a maioria dos clientes do banco foi fidelizada pela qualidade dos serviços e do atendimento", afirma o economista Luiz Roberto Castiglione. Além disso, a participação da seguradora no resultado total do banco aumentou de 26% para 35%, o que certamente contribuiu para sua escolha como futuro presidente do Bradesco.
No processo sucessório, Lázaro Brandão também teve à disposição outros dois bons nomes. Um deles, o do vice-presidente José Luiz Acar Pedro, que veio do BCN e implantou a área de banco de investimentos do Bradesco, o BBI. O outro, o de Milton Vargas, atual vice-presidente financeiro e de relações com investidores. Trabuco prevaleceu por ser um legítimo representante da cultura do Bradesco. "Além de extremamente trabalhador e competente, ele representa a vitória da máquina", avalia o banqueiro Luiz Cezar Fernandes, criador do Pactual e ex-Bradesco. Além da coincidência de ter nascido em Marília (SP), a mesma cidade do fundador Amador Aguiar, Trabuco dedicou toda sua vida ao Bradesco. Entrou no banco como escriturário, aos 18 anos, e tem a cara da empresa. Usa ternos discretos, é comedido nas palavras e evita todo e qualquer sinal exterior de riqueza. Estimativas de mercado indicam que sua remuneração, incluindo salários e bônus por participação nos lucros, será de R$ 1 milhão por mês, uma das maiores do País.
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