Todos querem comprar Nada parece conter o apetite das três gigantes dos supermercados. Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar saem à caça de aquisições e colocam na rua seus planos de expansão
Por Adriana Mattos

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"Seguiremos nosso plano de expansão à risca. Estamos em contato com diversas redes para avaliar oportunidades"
JEAN MARC PUEYO, diretor-superintendente do Carrefour no Brasil |
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NOS ÚLTIMOS MESES, MANOEL ETELVINO DE MEDEIROS, há 36 anos no negócio de supermercados, abusou do jogo de cintura para responder a mesma insistente pergunta: "A rede Nodestão não quer vender suas lojas?" Com a polidez necessária, atendeu os telefonemas dos interessados nas oito lojas da cadeia com a resposta pronta: "Vender? Assim você me ofende. Não vendemos, não alugamos, não emprestamos, nada." Medeiros esteve com amigos próximos do empresário Abilio Diniz nas últimas semanas, conta ele. Sondaram o executivo, mas a conversa parou por aí. "Estamos preparando a próxima geração para tomar conta do negócio. É esse o nosso foco", diz. É uma postura muito parecida com a que tem sido tomada pelo comando do grupo Angeloni, com 20 pontos-de-venda, 6,5 mil funcionários e a segunda maior cadeia do Sul do Brasil. O presidente da empresa, Antenor Angeloni, teria chegado a se irritar com a hipótese de já estarem vendendo a empresa pelo boca a boca do mercado. Por causa do clima tenso dentro da companhia, uma carta foi enviada aos funcionários, no apagar das luzes de 2008, apenas para acalmá-los. "Não abriremos mão do nosso privilégio de conduzir a empresa", escreveu em nota o executivo e fundador do grupo. Essa intensa movimentação foi provocada por uma disputa silenciosa, mas feroz, por um mercado que movimenta R$ 140 bilhões por ano no Brasil. Os protagonistas dessa guerra de bastidores são marcas conhecidas do grande público: Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar. Juntos, os três gigantes se propõem a desembolsar, em plena crise financeira, R$ 3,8 bilhões em abertura e reforma de lojas, fora a dinheirama reservada para as aquisições, um segredo guardado a sete chaves.

Para isso, é preciso garimpar boas oportunidades de compra de redes concorrentes em plena crise financeira. Em tese, não poderia ser uma hora melhor. A minguada liquidez dos mercados trava o caixa das médias redes e pode abrir espaço para aquisições mais baratas, que rapidamente engordariam o faturamento das companhias em 2009. Há conversas entre redes em todos os cantos do País, com destaque para o Paraná e interior de São Paulo. A DINHEIRO falou com os diretores de seis das dez principais redes regionais de supermercados do País, teoricamente candidatíssimas à venda. Também conversou com dois presidentes peso pesados, Jean Marc Pueyo, do Carrefour, e Hector Nuñez, do Wal-Mart, além de três analistas setoriais. Não há dúvida de que há bons ativos disponíveis, mas vai ser preciso negociar preços muito bem para que o martelo seja batido.

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