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ONDE INVESTIR IMÓVEIS
Arquitetura financeira
Fundos permitem investir em ativos imobiliários de forma indireta e sem pagar imposto

Por Gustavo Gantois

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EM TEMPOS DE CRISE HÁ TRÊS TIPOS de investidor. O primeiro é ousado, aquele que aproveita a maré baixa para comprar o maior número de ativos baratos que puder. O segundo é o temeroso, que espera a poeira baixar e acaba “esquecendo” do investimento por algum tempo. Mas é o terceiro tipo que tem se revelado uma surpresa. Ele procura investimentos mais seguros, diversifica sua carteira e descobre formas até mais atraentes de ganhar dinheiro. É assim que os fundos imobiliários têm atraído cada vez mais investidores.

Esses fundos têm apresentado rendimentos acima da média. E, o melhor, estáveis. A rentabilidade média dos fundos está na casa dos 11% ao ano, quando se considera o valor das cotas negociadas no mercado secundário. Quem comprou cotas no lançamento de alguns fundos e as manteve em carteira conseguiu retorno de até 24,84% em 12 meses até novembro passado (ver tabela). E aí entra o maior benefício dos fundos imobiliários: rendimentos livres de Imposto de Renda.

Para o ano que começa, os dividendos podem ser ainda mais atraentes. É que desde 4 de dezembro os fundos imobiliários estão livres para investir não apenas em imóveis, mas também em sociedades de propósito específicos (SPEs), fundos de participação (FIPs), de recebíveis, outros fundos imobiliários e em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs). Para o diretor da Brazilian Mortgages, Rodrigo Machado, a possibilidade de estruturar carteiras para investir em cotas de outros fundos imobiliários e CRIs será o grande impulsionador do mercado.

"Várias instituições sem vocação para fazer gestão de ativos imobiliários, como os bancos, têm demanda de clientes e vão entrar nesse segmento como administradores de fundos de fundos", afirma.

CASA CHEIA: BM&FBovespa lista 72 fundos de investimento imobiliários

O investimento em imóveis na planta tende a ser mais arriscado no atual momento de crise, já que há o risco de inadimplência e de as construtoras não terem dinheiro suficiente para terminar algumas construções. Mesmo assim, a aplicação nos fundos imobiliários continua sendo de baixo risco. Os imóveis nos quais os fundos investem são voltados a grandes empresas. E os contratos de locação geralmente têm longa duração. “A turbulência atual não tem atingido os fundos imobiliários”, avalia Sérgio Belleza, especialista no setor.

Mas como não há blindagem 100% segura, é fundamental conhecer o negócio em que o fundo investe. Atualmente, existem 72 fundos listados na BM&FBovespa, com recursos acima de R$ 5 bilhões. É um começo ainda, haja vista que nos Estados Unidos são movimentados mais de US$ 350 bilhões no setor. Mas, ao contrário do que aconteceu lá com a crise do subprime, a fiscalização é muito mais rigorosa por aqui. Por enquanto, a maior resistência aos fundos imobiliários está na questão cultural. “O brasileiro nasce e cresce com a ideia de que precisa ter seu nome na escritura”, explica Martim Fass, diretor da Rio Bravo. “Isso acaba criando uma falsa sensação de liquidez.”

 

 


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