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Muito dinheiro para a reconstrução
Governos injetam recursos na economia e Brasil deve sofrer menos na crise global

Por Denize Bacoccina

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PIB MENOR: Brasil deve crescer pelo menos 2,4% em 2009, preveem economistas. Governo aposta em alta de 4%

O ANO DE 2009 COMEÇA COM O SIGNO da incerteza sobre o tamanho e a duração da crise que já resultou em recessão em várias economias desenvolvidas, como as dos Estados Unidos e do Japão. É incerto o impacto do cenário externo na economia brasileira, mas desta vez o Brasil está mais protegido do que em crises anteriores. O fortalecimento dos indicadores macroeconômicos, a redução da dívida pública em relação ao PIB e o acúmulo de reservas em moeda estrangeira, entre outros fatores, garantem uma perspectiva mais tranquila para a economia nacional. Além disso, o governo Lula já repetiu diversas vezes que vai implementar uma política anticíclica ao manter os investimentos em obras que vão preparar a infraestrutura do País para o futuro. E garantiu que não vai faltar crédito para os investimentos privados, que têm tido mais dificuldade em captar recursos no Exterior. Lá fora, os governos despejam trilhões de dólares e euros para estimular a retomada dos negócios.

Nesse cenário de reconstrução mundial das finanças, as previsões de crescimento para a economia brasileira variam bastante. Todas, porém, apontam para uma expansão superior aos 2% do PIB. Se essa taxa parece pequena diante da expansão forte dos anos recentes, é sempre bom lembrar que esta foi a média de toda a década de 90. É ruim diante das necessidades do País, mas não deixa de ser uma boa notícia diante da maior crise econômica global dos últimos 70 anos. O Brasil, que antes pegava pneumonia ao menor espirro americano, adveragora enfrentará um resfriado, se as previsões dos economistas estiverem corretas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que a meta do governo é chegar a um crescimento de 4% e que o governo tomará as medidas necessárias para garantir o investimento em setores estratégicos para o emprego e a renda. O Banco Central é mais cauteloso e projeta uma expansão de 3,2% para 2009. No mercado, as previsões são menos otimistas. Entre os economistas de instituições financeiras consultados pelo boletim Focus, do BC, a projeção é de um crescimento de 2,4% em 2009. É o mesmo número da Confederação Nacional da Indústria.

Apesar das notícias pessimistas no último trimestre de 2008, a economia não vai parar neste ano que se inicia. Pelo menos no Brasil, que vem de uma expansão de 6,4% no acumulado de janeiro a setembro. "O efeito 'carry over' já vai garantir 1,5%", diz o economista Fernando Sampaio, da LCA Consultores. Mas, apesar dos bons fundamentos econômicos, ele lembra que o País não tem condições de crescer muito num cenário externo adverso. "O Brasil vai depender bastante do mundo", diz Sampaio. As economias mais ricas, no epicentro da crise, vão sofrer mais e algumas terão recessão. Muito dinheiro já foi despejado pelos governos para salvar o sistema financeiro e o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, prepara um novo pacote de estímulo econômico superior a US$ 700 bilhões. Se der certo, a maciça injeção de liquidez nos países ricos tende a tirar suas economias da UTI mais cedo do que se espera.

O Fundo Monetário Internacional estima uma expansão de apenas 2,2% para a economia mundial, puxada pelo crescimento de 5,1% nos países emergentes. Para o Brasil, a estimativa é de 3%. Já os países desenvolvidos devem sofrer uma retração de 0,3%. Para os Estados Unidos, o FMI estima uma queda de 0,7% em 2009. A China ainda cresce 8,5%. A demanda chinesa influencia o preço das commodities agrícolas e minerais. Nos últimos anos, as exportações brasileiras se beneficiaram do aumento dos preços. No comércio exterior, o cenário nebuloso fez com que o governo desistisse de uma meta oficial de exportações em dólares e mantivesse apenas a intenção de repetir o desempenho deste ano - 469 milhões de toneladas - em volume físico. Os economistas e bancos ouvidos pelo boletim Focus esperam uma forte redução das exportações, com superávit comercial de US$ 14,5 bilhões este ano. Em 2008, foi de US$ 24 bilhões.

Se o crescimento será menor do que se esperava há alguns meses, a desaceleração vai afastar o fantasma da inflação. O IPCA deve passar de um índice em torno de 6% no ano passado para 5%, bem mais próximo do centro de meta, de 4,5%. Com a queda da inflação, cai também a previsão para a taxa de juros: dos 13,75% atuais para 12% no fim do ano.

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