ONDE INVESTIR AÇÕES
Tudo o que sobe, desce Será que o contrário também é verdadeiro? Ações em baixa oferecem oportunidades de compra, mas o risco ainda é bastante elevado
Por Milton Gamez

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TOMBO: das 399 carteiras de ações analisadas, somente seis tiveram rendimento positivo. O GWI FIA, campeão de 2007, derreteu |
DEPOIS DE CINCO ANOS DE ALTAS consecutivas, a bolsa brasileira fechou 2008 na maior queda desde 1972. O Ibovespa, termômetro das ações mais negociadas na BM&FBovespa, terminou dezembro em 37.550 pontos, um tombo de 41%. Em relação ao pico de 73.516 mil pontos alcançados em maio, depois que o Brasil foi promovido a investimento seguro pelas agências de classificação de riscos de crédito, o índice recuou 49%. Nem mesmo o mais pessimista dos analistas previa que as ações brasileiras sofreriam tanto. As apostas ao final de 2007 eram de uma alta de pelo menos 20%, com o Ibovespa atingindo níveis de 75 mil a 85 mil pontos. Mas a crise internacional se agravou a partir de outubro e o pior aconteceu: os investidores estrangeiros, que sustentaram as altas nos últimos tempos, precisaram de caixa e liquidaram suas ações, derrubando os preços para valores irrisórios. No início de 2009, o Ibovespa voltou a superar a casa dos 40 mil pontos. A recuperação, ao que tudo indica, será lenta. É hora de comprar títulos de boas empresas e cotas de fundos de ações na bacia das almas ou é melhor esperar?
Antes de mais nada, é preciso cautela nos investimentos em renda variável. O risco de fortes oscilações ainda está muito alto. Ninguém sabe ao certo qual será a verdadeira profundidade da crise econômica nos países ricos e seu impacto nos emergentes, como o Brasil e a China. Quanto pior o cenário, mais as ações das empresas tendem a cair. Por outro lado, se a recuperação vier mais cedo do que mais tarde, as cotações podem voltar a subir assim que surgirem os primeiros sinais positivos (ou menos negativos). Por ora, as notícias do Hemisfério Norte são péssimas. Nos EUA, pivô da virada econômica de 2008, a recessão atual pode virar depressão, o que não acontece desde os anos 30 do século XX. Quem diz isso é o economista Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008. "Não fiquemos nas meiaspalavras: a situação se parece muito com o início de uma segunda Grande Depressão", disse Krugman na sua coluna no The New York Times na terça 6. A percepção dos analistas internacionais é importante, pois afeta o humor dos grandes investidores estrangeiros. Para previsões menos pessimistas, leia a reportagem sobre cenários na página 44.
A debandada dos estrangeiros no ano passado jogou praticamente todos os fundos de ações no vermelho. Somente seis das 399 carteiras do tipo analisadas pela TAG Investimentos para o guia ONDE INVESTIR EM 2009 tiveram retorno positivo. Os melhores retornos foram obtidos por dois fundos da Polo Capital, empresa de gestão do Rio de Janeiro, com estratégias totalmente diferentes. O primeiro, o Polo Latitude 84 FI Ações, rendeu 24,29% nos 12 meses terminados em novembro de 2008, excedendo o Ibovespa em 65,42% no mesmo período. É um fundo quantitativo, ou seja, as ordens de compra e venda de papéis são disparadas automaticamente por um programa de computador, que analisa as diferenças de preços entre os ativos e seu comportamento histórico. O segundo, o Polo FI Ações, obteve retorno de 16,48%, superando o Ibovespa em 57,60%. Este fundo é gerido por seres humanos. "Esse tem o dedo do gestor", comenta Marcos Duarte, sócio da Polo Capital. O fundo é bastante diversificado, com mais de 50 papéis. Duarte aproveitou as baixas no final do ano para comprar ações de setores que estavam sendo preteridos pelo mercado, como o de bancos médios e de construção civil. Também adquiriu ações de empresas de telecomunicações. "Essas companhias têm uma liquidez muito grande, pois 80% da receita vem de telefones prépagos, com baixa inadimplência", justifica. Existem muitas empresas com bom potencial de crescimento e valorização .
Na busca pelo melhor fundo de ações, não se deixe iludir pela rentabilidade. O campeão do guia ONDE INVESTIR EM 2008, o GWI FI Ações, foi o último colocado neste ano. Seu patrimônio derreteu, com perdas de 96% em 12 meses, até novembro. O fundo era altamente alavancado, ou seja, fazia apostas nos mercados de derivativos que envolviam volumes superiores aos seus próprios recursos. A guinada dos mercados a partir de outubro caiu como uma bomba nesta estratégia e o dinheiro dos cotistas virou pó. Não foi a primeira vez que isso aconteceu no Brasil, nem será a última. Mas desta vez os investidores não podem dizer que foram enganados. Em sua propaganda institucional, o fundo do gestor coreano Mu Hak You, dono da GWI, alardeava os resultados - 629% de alta em 45 meses -, mas também avisava em letras graúdas que a carteira tinha alavancagem de até 200% do patrimônio líquido. Moral da história: conheça sempre os riscos envolvidos antes de aplicar. Depois, não adianta reclamar do tombo.


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