ONDE INVESTIR BOLSA
Na medida certa Novos fundos de índice de ações chegam para ajudar na diversificação
Por Ana Clara Costa

 |
NOVATOS NO BRASIL: ETFs são novidade por aqui, mas já são responsáveis por 38% das negociações nas bolsas dos EUA |
INVESTIR EM PAPÉIS DE UM GRANde número de empresas, via home broker, mas sem precisar direcionar uma grande quantidade de dinheiro para isso. Essa é a principal vantagem dos ETFs, sigla para Exchange Traded Funds, que no Brasil recebem o nome de fundos de índice. Novas carteiras desse tipo chegaram ao mercado no final de novembro passado pelas mãos do banco Barclays e da BM&FBovespa, e prometem a tão falada diversificação que os investidores buscam para 2009. Tudo porque aplicam nos papéis que compõem os índices existentes no pregão, como o Ibovespa, o Mid-Large Cap (empresas médias) e o Small Cap (pequenas). Ou seja, quanto maior o número de empresas na composição de cada ETF, mais diluído é o risco para o investidor. Os três fundos novatos foram lançados pelo Barclays e são chamados de iShares. Cada um tenta acompanhar o desempenho de um índice (leia quadro). O BOVA11, que segue o Ibovespa, rendeu 13,22% desde sua criação até o início do ano. Já a variação do índice foi de 13,38% no período. O risco de um desempenho inferior existe. Por isso, todo cuidado é pouco.
Fundos de índice não são complexos. É como aplicar em um fundo de ações e negociar as cotas desse fundo em bolsa. Não é necessário uma aplicação inicial mínima. O lote-padrão para a compra é de 100 cotas, mas pode-se adquirir lotes menores ou cotas individuais no mercado fracionário, assim como ocorre com ações. Para vender as cotas, o investidor está sujeito a riscos como baixa liquidez e rentabilidade inferior aos índices seguidos pelos fundos. "É preciso conhecer detalhadamente o produto e saber se ele se enquadra em seu perfil de investimento", aconselha Alexandre Jorge Chaia, professor de derivativos do Ibmec São Paulo. Além dos iShares, há também o PIBB, criado em 2004, que teoricamente foi o primeiro fundo de índice a existir no Brasil. A diferença é que ETFs são emitidos por instituições privadas, enquanto o PIBB foi uma iniciativa do BNDES. Ele acompanha o IbrX - 50 e acumulou, desde sua criação, um retorno de 125,83%, enquanto o índice alcançou 124,95%.

No Brasil são apenas quatro, mas nos EUA são cerca de 700 ETFs que acumulam US$ 500 bilhões em ativos. Durante a crise, os investidores estrangeiros que queriam diversificar encontraram nesses fundos uma boa opção. No início de 2008, 29% das negociações nas bolsas norte-americanas correspondiam aos ETFs. Até novembro, essa fatia havia subido para 38%. Para estimular o mercado, a BM&FBovespa lançou dois novos índices em 2008: o ICON, que acompanha as empresas de consumo, e o IMOB, para o setor imobiliário. O Barclays já adiantou o interesse em criar novos fundos, mas ainda não confirmou se estarão atrelados aos dois índices. "Queremos desenvolver a indústria de ETFs no Brasil e que a família de iShares cresça. Certamente criaremos novos produtos", diz Marcelo Allain, diretor do banco. O HSBC, que possui ETFs no Exterior, afirmou que está estudando a possibilidade de lançar o produto no País proximamente. |