Com os pés no Brasil A Pakerson, grife italiana de calçados de luxo, inclui o País em sua estratégia de expansão global
ROSENILDO GOMES FERREIRA

 |
EM 2001, O EMPRESÁRIO italiano Andrea Brotini, sócio da Pakerson Calçados, mandou um emissário a São Paulo para conhecer o emergente mercado brasileiro de luxo. No ano passado, ele refez o roteiro e aproveitou a estada de dois dias para se reunir com um seleto grupo de lojistas e estilistas do setor calçadista. Na segunda-feira 12, Brotini volta à cidade para participar da 39a edição da Couromoda e dividirá o espaço com uma dezena de conterrâneos arregimentados pelo Instituto Italiano de Comércio Exterior. Só que desta vez, além dos calçados da marca, ele traz na bagagem um plano para fincar a bandeira de sua sofisticada grife no Brasil. O projeto será desenvolvido em duas etapas. A primeira delas será a distribuição de sapatos, botas e cintos em butiques multimarca de cidades com grande poder aquisitivo: Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília (DF). Na sequência, ele pretende abrir uma loja-conceito nos moldes das cinco unidades que possui em importantes centros de consumo de luxo da Ásia e da Europa, como Xangai (China) e Moscou (Rússia). Cada uma delas exige cerca de US$ 1,5 mi-lhão para ser erguida, sem incluir o gasto com a formação do estoque. "Tenho muitas expectativas em relação ao mercado brasileiro", disse à DINHEIRO Brotini. Fundada em 1923 por Giulio Brotini, avô dos irmãos Andrea e Antonio, a marca mantém viva a tradição dos mestres sapateiros da região de Florença, que inclui ícones como Ferragamo. A começar pelo processo produtivo, quase totalmente artesanal, e pela escolha da matéria-prima para a confeção dos produtos. Da fábrica situada na comunidade de Cerreto Guidi saem cerca de mil pares de calçados por dia. Eles são vendidos por preços entre US$ 200 e US$ 600, na ponta do varejo, e rendem US$ 34 milhões por ano à Pakerson. O executivo explica que o projeto de expansão não vai alterar a filosofia da grife, que tem na exclusividade sua maior aposta. Uma amostra disso foi o lançamento, em meados de 2008, de um serviço de confecção de sapatos sob medida. Funciona assim: o cliente vai a uma butique e define o modelo e a cor que deseja. Seus pés são medidos por sapateiros que repassam as informações para os colegas da fábrica. A encomenda fica pronta em quatro semanas. "Nosso objetivo é crescer de forma equilibrada, preservando os principais atributos da marca", destaca. Algo que é reconhecido até pela concorrência. Os calçados top de linha das conterrâneas Gucci e Valentino, por exemplo, são feitos pela Pakerson.
 |
TRADIÇÃO: os calçados da marca são feitos de forma semiartesanal e custam até US$ 600 |
|