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Crédito alcança 40% do PIB
É a maior taxa da história, segundo o Banco Central. Em 2009, apesar da crise, volumes serão ainda maiores

GUSTAVO GANTOIS

SHUTTERSTOCK

AS SUCESSIVAS MEDIDAS tomadas pelo Banco Central para aumentar o crédito em meio à turbulência internacional parecem começar a fazer efeito. Pelo menos é o que indica o relatório divulgado pela autoridade monetária na terça- feira 23. O volume de crédito do sistema financeiro alcançou 40,3% do PIB em novembro, contra 39,6% em outubro. É um recorde na série histórica registrada pelo BC desde 1994. O volume total, de R$ 1,2 trilhão, cresceu 2%. E só não foi melhor porque muitos consumidores preferem quitar dívidas antigas a contrair novos empréstimos. O crédito para as pessoas físicas aumentou apenas 0,1% em novembro. Mesmo assim, acumula um crescimento de 23,3% ao longo do ano. No total, o volume de crédito em 2008 deve fechar 2008 com expansão de 31%, alcançando 40,5% do PIB. Nada mal para um ano de crise global.

Para o ano que vem, ainda há otimismo. A previsão do BC é de um aumento de 16% na carteira total. “Crescer 16% não é trivial. São dois dígitos”, justifica o diretor do Departamento Econômico, Altamir Lopes. Uma coisa é certa: não vai faltar dinheiro para quem quiser investir ou consumir e tiver condições de tomar emprestado. Os bancos confirmam. Segundo a Febraban, entidade do setor, o crescimento do crédito total no ano que vem ficará entre 18% e 19%. No caso das pessoas físicas, esse aumento será de 18%, pouco abaixo dos 20% previstos pelo BC. Para as empresas, a alta deve ser de 20,6%, menos que os 40% estimados em Brasília. A diferença principal é a fonte dos recursos, que antes vinham de fora em abundância e agora estão mais escassos. “A expansão mais expressiva no crédito para pessoas jurídicas reflete a migração das captações no mercado externo para operações domésticas”, analisa Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban. “Para a pessoa física, o índice será pressionado pela desaceleração de alguns setores já afetados pela crise, como a área automobilística.”

De fato, o setor automotivo foi o que mais sofreu em novembro, segundo o Banco Central. Com uma queda de 25% na comercialização, os empréstimos para a compra de carros recuaram 0,9%, registrando a primeira queda nominal de crédito para aquisição de veículos desde 2006 ao marcar R$ 136 bilhões. O leasing, que vinha crescendo a taxas de 5% a 6%, teve variação positiva de 0,1% em novembro e o CDC caiu 1,6%. “As pessoas estão evitando contrair mais dívidas, ainda mais num ambiente em que as taxas estão mais altas”, diz Altamir Lopes.

No geral, os juros para pessoa física subiram 3,8 pontos percentuais em novembro, alcançando 58,7% ao ano. É o maior nível desde março de 2006. A taxa para pessoa jurídica caiu 0,4 ponto percentual, passando de 31,6% ao ano em outubro para 31,2% em novembro. Em compensação, o spread (margem de ganho dos bancos) disparou. Para a pessoa física, subiu 3,8 pontos percentuais, chegando a 58,7%. Para a pessoa jurídica, bateu em 18,3%.

Com a escassez de crédito no mercado externo, sobrou para a indústria se adaptar ao que cobram os bancos aqui dentro. E o volume cresceu. Foram R$ 822 bilhões em novembro, comparados a R$ 798 bilhões no mês anterior. A indústria respondeu por um aumento de 4,3% nos pedidos por dinheiro, principalmente os setores de siderurgia, veículos, energia, papel e celulose, químico e alimentos, chegando a R$ 291 bilhões. Outros R$ 215 bilhões foram para telecomunicações, transportes, gasodutos e estaleiros. “A confiança do consumidor continua resistindo às previsões de desaquecimento da economia”, diz Fernando Teles, diretor do Itaú. “Se eles compram, a indústria também investe.” É o discurso de otimismo ecoando em tempos de crise.

 

 


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