Com o pé no acelerador Após aumentar participação na Sidenor, Gerdau já tem planos de se tornar dona de 100% do capital da espanhola
ADRIANA MATTOS

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COMANDO AFINADO: Jorge e Andre Johannpeter (sentado) acreditam que concentração do setor crescerá |
POUCAS EMPRESAS BRAsileiras gastaram tanto dinheiro com aquisições nos últimos anos como o grupo Gerdau. Desde 2006, a companhia desembolsou pouco mais de US$ 10 bilhões com fechamento de aquisições e novas parcerias, num total de 14 negócios. Jorge Gerdau Johannpeter, patriarca da família controladora do grupo, entende que a consolidação do setor é irreversível. Quem não se fortalecer, estará fora do jogo. Por isso, a companhia tem algumas cartas na manga. A primeira já foi apresentada dias atrás. Na sexta-feira 19, a Gerdau informou que adquiriu uma participação adicional de 20% do capital social da Corporación Sidenor, da Espanha, fabricante de aços longos especiais, em uma transação de - 206 milhões euros (R$ 686 milhões). Tudo feito com recursos próprios. A parcela comprada pertencia a ex-executivos da Sidenor. Com o negócio, a companhia passa a ter o controle acionário da empresa, na qual já detinha 40%, ao lado do grupo Santander, que possui os 40% restantes. O próximo passo pode ser dado em breve. A partir de janeiro de 2011, o Santander tem a opção de venda de sua participação para a Gerdau. DINHEIRO apurou que, se até o final daquele ano a opção não for exercida, a brasileira pensa em entrar num acordo com o banco e, com isso, se tornar a dona do capital total da maior siderúrgica espanhola no segmento. Inclusive, a Gerdau já reconhece em seu balanço, na conta "Opções por Compra de Ações", um valor potencial a ser gasto com o negócio.
Cada movimento da Gerdau envolve uma estratégia muito clara. A empresa quer ser peça-chave no segmento de aços longos especiais, produto que responde por 18% da receita do grupo. Mas a ação não se limita a isso. De forma paralela, ela está gastando boas somas de dinheiro para tornar todas as suas operações mais fortes. "A Gerdau precisa encontrar ativos a preços interessantes e, como o momento atual é delicado, ela pensa em investir nas próprias unidades", diz uma analista do setor. No mês passado, a empresa admitiu que fez ajustes em sua produção, por conta da crise econômica, mas anunciou a manutenção dos planos de gastos de US$ 6,4 bilhões em suas operações até 2010. |