O fator Petrobras Além da exploração do pré-sal, a empresa está à frente dos maiores projetos em andamento no País, que não serão paralisados em razão da crise internacional
Denize Bacoccina

No ano em que o BRASIL inteiro virou especialista em geologia com as discussões sobre o que fazer com os bilhões de dólares do petróleo que seria extraído da camada pré-sal, o preço do barril disparou para US$ 147 em julho para despencar para pouco mais de US$ 40 em dezembro. Alheia às discussões públicas tanto nos momentos de euforia do "Brasil saudita" quanto na ressaca que se seguiu, a Petrobras se dedicou a estudar as planilhas de custos e em 2009 espera não apenas manter, mas até aumentar o volume aplicado neste ano. Em 2008, os investimentos somaram US$ 25 bilhões, parte de um planejamento que chega a US$ 112,4 bilhões até 2012.

Pré-sal é viável:
mesmo a sete mil metros de profundidade, a Petrobras está segura de que conseguirá explorar as reservas de mais de oito bilhões de barris, se o preço do petróleo estiver acima de US$ 30 nos próximos anos |
Desse total, 85% são provenientes de capital próprio e o restante de financiamento. Num momento em que se discute o papel do governo brasileiro como indutor de um processo anticíclico para manter a economia aquecida em um cenário de recessão internacional, a estatal tem papel importante neste movimento. "Não vamos parar nenhuma obra da Petrobras", disse o presidente Lula, lembrando que a maior parte dos investimentos usa recursos próprios. O presidente afirmou ainda que as três refinarias previstas para serem construídas no Nordeste não serão canceladas. Estão mantidos também os investimentos no présal, apesar da queda de preços. "Ele continua viável com os preços atuais", afirmou o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. De acordo com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vários países estão interessados no petróleo brasileiro. Ele já conversou com o governo da China, que pode aplicar US$ 10 bilhões em troca de acordo de fornecimento, e com representantes dos Emirados Árabes Unidos, do Japão e Canadá. A aposta do governo brasileiro é de que as novas reservas de petróleo estão concentradas em poucos países, a maioria com controle estatal das petroleiras, o que aumenta o interesse das grandes empresas internacionais.
"Total investido até 2012 pela estatal será de US$ 112 bilhões"

Em plena selva:
gasoduto Coari-Manaus (acima) levará o gás da Bacia do Solimões a um dos principais pólos industriais do País e envolveu grandes desafios logísticos na Amazônia. Em algumas regiões, tubos tiveram de ser lançados de helicóptero
Conteúdo nacional:
por uma determinação de governo, a Petrobras passou a priorizar fornecedores nacionais na compra de navios e plataformas, o que deu grande impulso aos estaleiros brasileiros
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