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Fôlego privado
A despeito da crise, ainda há grandes empreendimentos privados em andamento no País

GUSTAVO GANTOIS

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ALEXANDERE SANTANNA/AG. ISTOÉ
Gigante no Rio: a Companhia Siderúrgica do Atlântico, que terá capacidade para produzir 5,5 milhões de toneladas de aço por ano, já emprega 20 mil pessoas nas obras e será inaugurada até o fim de 2009

SE A CRISE BATE À PORTA, nem todos os empresários estão pessimistas com o ano de 2009. Enquanto as montadoras americanas clamam por dinheiro e demissões em massa acontecem na Europa, algumas empresas brasileiras vão manter seus investimentos ao longo do ano, provando que a crise pode ser driblada pelo próprio mercado. O maior exemplo da contramão mundial fica no Rio de Janeiro, mais exatamente às margens da Baía de Sepetiba. Ali, ao custo de US$ 4,5 bilhões, a alemã Thyssen-Krupp está erguendo a Companhia Siderúrgica do Atlântico, uma gigantesca estrutura capaz de produzir 5,5 milhões de toneladas de placas de aço por ano. Previsto inicialmente para entrar em funcionamento em março, o projeto foi adiado para o final do ano. "Não há qualquer contração por conta da crise", explica Ulrich Middlemann, diretor-financeiro da ThyssenKrupp. "Aumentamos a capacidade de produção e isso exigiu adaptação dos altos-fornos." É uma atitude arriscada em um setor que foi atingido pela redução no número de contratos. Mas a ousadia não fica restrita à siderurgia. O setor de celulose sentiu a contração em outubro do ano passado. Os preços, que chegaram a cair 40% nas negociações com a Ásia, de US$ 750 para US$ 450 por tonelada entre julho e outubro, voltaram a se recuperar e subiram para US$ 550 em dezembro. A Suzano ainda assim manteve os projetos de expansão de R$ 7 bilhões e prevê passar dos atuais 2,8 milhões de toneladas de produção para 7,2 milhões em 2015. "Estamos programando três novas linhas de produção", adianta João Comério, diretor-executivo de negócios florestais da Suzano.

CSA é a maior siderúrgica em construção no mundo

No setor automotivo, recentemente ajudado pelo governo com a desoneração do IPI, a situação também não é desanimadora. Em um levantamento feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes, o Sindipeças, 48% das empresas de autopeças consultadas disseram que vão manter o que havia sido programado para 2009. Os investimentos, que em 2006 foram de US$ 1,3 bilhão, saltaram para US$ 1,6 bilhão no ano passado. Até 2012, o setor automotivo como um todo planeja investir US$ 22 bilhões para ampliar a capacidade e melhorar os processos produtivos. A Fiat, por exemplo, já anunciou que vai manter os R$ 5 bilhões previstos para projetos de expansão nas unidades de Betim, Sete Lagoas e Contagem. "As expansões poderão gerar um incremento de R$ 11 bilhões no faturamento, dentro de quatro anos", disse Sergio Marchionni, presidente do grupo, em recente visita ao Brasil. Situação semelhante, mas de forma mais comedida, enfrenta a Moto Traxx da Amazônia, subsidiária brasileira do China South Industry Corporation Group, um dos maiores fabricantes mundiais de motos. Mesmo com a escassez no crédito, que reduziu em 17% as vendas de motos no final do ano passado, a empresa pretende acrescentar mais quatro modelos aos quatro que já produz na fábrica em Manaus. "Para crescer no Brasil já estão confirmados investimentos de R$ 100 milhões para esse ano", afirma Rogério Scialo, diretor comercial da Moto Traxx. Os efeitos disso? A empresa pretende elevar de 115 para 250 a quantidade de concessionárias no País e de 250 para 460 o número de funcionários.

BIÔ BARREIRA/AG. ISTOÉ

R$ 7 bilhões é quanto a Suzano Papel e Celulose está investindo para triplicar sua capacidade de produção até 2015. Os projetos não foram suspensos pela crise

US$ 22 bilhões é o volume de gastos previstos pelo setor automotivo no Brasil até 2012

Na construção, o compasso é de espera por novos contratos. Mas a carteira ainda garante um bom ano. Em novembro, a utilização da capacidade instalada da indústria de materiais de construção chegou a 90%. No fim de 2006, o índice era de 70%. "O crescimento forte que vinha ocorrendo não é ruim, mas hoje, mesmo com a desaceleração, não vamos deixar de crescer", avalia José Carlos de Oliveira Lima, diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção. Um exemplo disso é a Construcap. A empresa já tem serviço para todo o ano, com 16 contratos fechados com indústrias como Votorantim, Duratex, General Motors, Natura, Petrobras e Peugeot, além de projetos de infra-estrutura pesada. O volume de negócios permitirá que o faturamento de 2009 da construtora supere os R$ 800 milhões. "Na infraestrutura, a rigidez da necessidade de investimento é muito grande", explica Marcelo Nascimento, economista do BNDES. "Deixar passar, uma vez assumido o compromisso, pode trazer perdas muito grandes. Por isso, dificilmente quem estiver nessa situação vai rever o investimento." É uma lição que outras empresas poderiam aprender.

 


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