O PAC de Obama A aposta do presidente eleito dos Estados Unidos para enfrentar a crise é um grande plano de obras de infra-estrutura, o maior em 50 anos
DENIZE BACOCCINA

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Obama em ação: a construção de pontes, estradas e a reforma de escolas públicas estão entre as prioridades de Barack Obama. Ele também promete incentivar o uso de energias alternativas para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação ao petróleo |
NA SEMANA SEGUINTE À eleição, a revista Time estampou na capa uma montagem de uma foto clássica do ex-presidente Franklin Delano Roosevelt num conversível com o rosto de Obama. Era uma referência à promessa do presidente eleito de guiar o país para o crescimento e amenizar os efeitos da recessão que havia sido anunciada alguns dias antes. Seria o seu New Deal - o programa lançado por Roosevelt em 1933, quando o desemprego superava os 20% - para criar empregos, regular o sistema financeiro e recuperar a economia em meio à Grande Depressão. Eleito, Obama anunciou que lançará logo no início do governo o seu PAC. Ele prometeu o maior programa de obras públicas desde os anos 50. Obama também quer reformar as escolas, com novos computadores conectados à internet e modernizar os prédios públicos com equipamentos para reduzir o consumo de energia. "Nosso governo paga a maior conta de energia do mundo. Precisamos mudar isso", afirmou Obama. Desde o início da campanha, quando a economia americana não estava tão mal quanto agora, o presidente eleito vinha prometendo criar milhões de empregos com a "economia verde", dizendo que os Estados Unidos deveriam liderar o desenvolvimento de novas tecnologias, em vez de tentar salvar os setores em decadência.
Gasto público é receita contra o desemprego recorde nos EUA
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US$ 136 bilhões serão os investimentos iniciais do governo de Barack Obama, que se inspirou em Franklin Roosevelt, cujo New Deal, focado em grandes obras, tirou os EUA da Grande Depressão |
Obama prometeu gastar até US$ 775 bilhões para criar três milhões de empregos - número que se alcançado será suficiente apenas para minimizar a crise, já que estima-se que quatro milhões de vagas serão perdidas em 2009. Para evitar que o dinheiro fique perdido na burocracia dos governos estaduais, disse que o dinheiro que não for gasto no prazo estipulado terá que ser devolvido. Num encontro com governadores em dezembro, ele recebeu um programa estadual de obras no valor de US$ 136 bilhões para construção e manutenção de estradas, pontes e outros projetos prontos. Os governadores estimam que cada bilhão de dólares em investimento pode criar 40 mil empregos. Já o programa de novas tecnologias de energia renovável poderia custar até US$ 100 bilhões nos próximos dois anos. Com a perda de dois milhões de postos de trabalho no país até agora, 533 mil deles em novembro, Obama sabe que precisa agir rápido e que o desemprego estará perto dos 7% quando ele chegar à Casa Branca, em 20 de janeiro. "Precisamos agir com a urgência que o momento exige", disse Obama ao anunciar o seu PAC. |