Anuncie
Assine Três
 
  IstoÉ Dinheiro
 
Capa
Imprimir
 
Energia amazônica
A construção de megausina no coração da maior floresta do planeta abre uma nova fronteira e dá ao Brasil mais tranqüilidade na questão energética

HUGO CILO, DE PORTO VELHO (RONDÔNIA)

comente a matéria

FOTOS: WELLINGTON CERQUEIRA/AG. ISTOÉ
Valeu o esforço: antes de vencer a licitação para a construção da usina do rio Madeira, a Odebrecht investiu mais de R$ 200 milhões, em conjunto com Furnas, nos estudos ambientais do rio. Hoje, mais de nove mil operários estão mobilizados

QUANDO A CRISE ENERGÉTIca fez o País quase parar em 2001, o engenheiro José Bonifácio Pinto Júnior, diretor da construtora Odebrecht, especialista em geração de energia, propôs a construção de uma grande usina hidrelétrica no rio Madeira, em Rondônia, numa das regiões mais isoladas do Brasil. Em poucos dias, a notícia virou piada na capital Porto Velho. Pelas ruas da cidade, diziam que um "maluco mineiro" com idéias kubitschekianas queria represar o imponente Madeira, no coração da maior floresta tropical do planeta. Logo ganhou conotação de boataria, semelhante às lendas do curupira, saci-pererê e mula-sem-cabeça. Naquele momento, a idéia realmente parecia insana. À primeira vista, o rio não inspirava nenhuma confiança na possibilidade de se tentar controlá-lo. A força das águas (a vazão chega a 47 mil metros cúbicos por segundo, o dobro do volume do Paraná, que alimenta Itaipu) arrasta tudo que tenta impedi-la. Em época de cheia, o rio sobe até 17 metros, invade a mata e engole arvores inteiras - daí a origem de seu nome e a razão para sua tonalidade turva. Só mesmo um milagre, pensava o povo local. Mesmo assim, Boni, como é chamado, manteve a proposta. No ano seguinte, em 2002, chamou o colega Nelson Caproni, uma das maiores autor dades em construção de megausinas no País, esboçou o projeto e deu-lhe o nome de Usina de Santo Antônio. A idéia ficou seis anos no papel, à espera de licenças e do sinal verde do governo federal. Em agosto último, as idéias deixaram o campo das intenções e tornaram- se reais. Hoje, máquinas gigantes se movimentam 20 horas por dia para erguer até 2016 a maior barragem da região Norte, com 2,5 quilômetros de extensão. A obra tornou-se um símbolo do avanço econômico numa das principais fronteiras energéticas do Brasil.

Alta vazão: volume de água do Madeira, duas vezes maior do que o do rio Paraná, que alimenta a usina de Itaipu, é um grande desafio de engenharia a ser vencido pela equipe que toca as obras

Concreto pesado:
o paredão dos reservatórios irá utilizar 2,7 milhões de metros cúbicos de concreto, o suficiente para construir 32 estádios do Maracanã

Abrindo terreno: na fase inicial das obras, já foram removidos 20 milhões de metros cúbicos de terra e outros 34 milhões de metros cúbicos de rocha

Os números comprovam a grandiosidade da construção, que custará R$ 12,2 bilhões. Apenas para iniciar os trabalhos, foram removidos 20 milhões de metros cúbicos de rocha e 32 milhões de metros cúbicos de terra. Se fosse possível empilhar todo esse material, daria para construir duas pirâmides de Gizé, a maior do Egito. Acha muito? E é. A Usina de Santo Antônio consumirá ainda 126 mil toneladas de aço, 18 vezes mais do que foi usado na Torre Eiffel, em Paris. Esse paredão gigantesco no rio Madeira também precisará de 2,7 milhões de metros cúbicos de concreto, o suficiente para construir 32 estádios do Maracanã, o maior do mundo. Concluída, a megausina terá 44 turbinas de geração de energia - de 73,5 megawatts/hora (MW) cada. Quatro delas são mais que o necessário para abastecer os Estados de Rondônia e do Acre por mais de uma década. A primeira turbina começa a girar em maio de 2012. "No começo, aquele ceticismo era natural. Uma obra desse porte desperta a desconfiança de todos, principalmente numa região pouco acostumada a megaobras", diz Boni. "Não há paralelo no mundo. O projeto da Usina de Santo Antônio é um marco na história da engenharia brasileira", completa.

FOTOS: WELLINGTON CERQUEIRA/AG. ISTOÉ
Equipes garantem a vida dos peixes da região

O engenheiro "Boni" foi o visionário que idealizou a obra no ano do apagão

Assim que a Usina de Santo Antônio entrar em plena operação, daqui a oito anos, a geração de energia elétrica no País será ampliada em 10%. A barragem terá capacidade de gerar 3.150 MW, potência que afasta os riscos de colapso energético na próxima década e permitirá a redução da queima de óleo diesel nas usinas termelétricas em atividade hoje, diminuindo significativamente o impacto ambiental. A construção da Usina de Santo Antônio será possível graças à formação do consórcio Madeira Energias (Mesa), composto pelas empresas Furnas (39%), Odebrecht Investimentos (17,6%), Andrade Gutierrez Participações (12,4%), Cemig (10%), Construtora Norberto Odebrecht (1%) e Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia (20%).

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
 


Edição Digital
Boletim
Gratuitamente,
receba as últimas
notícias e conteúdo
exclusivo do site.


Capa
Imprimir
   

Busca:
Sites Editora Três

Seções
Capa | Dinheiro Investidor | Dinheiro na Semana | E-commerce | Economia | Entrevista | Estilo | Finanças | Horóscopo | Negócios | Reportagens | Especial | Artigo
Serviços
Fale Conosco | ISTOÉ Dinheiro Digital | Expediente | Anuncie | Assine
Revistas TRÊS
IstoÉ | IstoÉ Dinheiro | IstoÉ Gente | Motorshow | Planeta | Dinheiro Rural | Go Outside | Menu

Gerenciamento de Conteúdo / CMS - ContentStuff.com