Dilma na locomotiva do PAC À frente do programa, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, garante que não faltarão recursos para os grandes projetos em 2009
DENIZE BACOCCINA

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"Não vamos parar por uma razão simples: não quebramos" Dilma Rousseff |
A MINISTRA DA CASA CIVIL, Dilma Rousseff, não quer ouvir falar em crise internacional. No que depender dela, 2009 será um dos melhores anos do governo Lula. Ela diz que o governo vai continuar investindo nos projetos do PAC e acredita que o setor privado também vai manter os investimentos, depois de uma acomodação inicial provocada pelas turbulências internacionais. A ministra lembra que desta vez, ao contrário de crises anteriores, quando o governo seguia o receituário do FMI e implementava uma política contracionista que aprofundava o problema, a reação será diferente. "Não vamos cortar investimento por um motivo muito simples: nós não quebramos", diz a ministra, já citada em público pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como sua pré-candidata em 2010. E de onde vem o dinheiro? "Nós temos funding", responde. Os recursos virão do BNDES, do superávit acumulado pelo setor público e também de fontes privadas. Dilma acredita no ideograma chinês que iguala crise a oportunidade e dá um conselho aos empresários. "Quem se posicionar direito vai aproveitar a retomada", afirma.
DINHEIRO - De onde virá o dinheiro para manter todos os investimentos do PAC?
DILMA - Nós temos funding. Os fundos de pensão têm funding. Todos os nossos bancos estão capitalizados, nenhum banco quebrou. Temos uma vantagem em relação a outros países porque temos uma estrutura pública de bancos. Nós fornecemos 35% do crédito, através dos bancos públicos - Banco do Brasil, Caixa, BNDES, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste. Temos o compulsório, que nos permite garantir a liquidez sem usar recursos do Tesouro. Não discutimos se a crise vai nos afetar, porque no mundo globalizado é óbvio que ela chega até nós. A discussão é se seremos impotentes diante dela. E eu digo que nós temos bala na agulha para responder. Temos instrumentos, temos crédito, reservas e programas sociais. Nós não fizemos o PAC por causa de crise, fizemos porque achamos que o Brasil tinha que acelerar o seu crescimento. Podemos dizer que estamos preparados como em nenhum outro momento. Temos hoje musculatura e instrumentos suficientes para reagir e minimizar os efeitos desta crise.
DINHEIRO - No pré-sal, ainda vale a pena investir, com o preço em queda?
DILMA - Nós temos todas as condições não só para explorar o pré-sal, mas para fazer do pré-sal uma das grandes alavancas de desenvolvimento do País.
DINHEIRO - A Petrobras tem dito que vai manter os seus investimentos. Mas e os recursos privados? As empresas também vão manter os investimentos?
DILMA - Claro. E a retomada? Quem vai puxar a retomada são os países emergentes. E quem tiver as oportunidades e cabeça fria, pé no chão, prudência, mas com olho no futuro, vai ganhar as oportunidades. O que nós temos é o futuro. Nós temos instrumentos para construir o nosso futuro. De acordo com os nossos princípios e as nossas estratégias - não impostos por nenhum fundo monetário.
DINHEIRO - E como será o Brasil que vai emergir desta crise?
DILMA - Eu acho que é um Brasil que vai ter que aprofundar uma característica: que o desenvolvimento não pode ser para 50 milhões, para 90 milhões. O desenvolvimento tem que ser para os 190 milhões e aí nós exploramos outra riqueza brasileira, que é ser um país continental, com um imenso mercado interno. Temos que manter a competitividade das exportações, mas ao mesmo tempo apostar no mercado interno, na distribuição de renda e na redução da desigualdade.
DINHEIRO - E ela virá por meio dos programas sociais ou geração de empregos?
DILMA - Por uma combinação de várias coisas. Do Bolsa Família e do aumento de empregos. Em 2008 foram criados dois milhões de empregos. Precisamos também dos recursos do pré-sal. Um país exportador tem que se apropriar também de uma parte da renda petrolífera. Não pode só deixar que extraiam, ele tem que ter uma participação. É um círculo virtuoso. À medida que reduz a pobreza no país, aumenta a riqueza, aumenta a capacidade de compra do povo brasileiro, sustenta a demanda, com mais investimento e mais consumo. Não vou sair por aí fazendo subvenção a torto e a direito, mas uma política de proteção social também é altamente vantajosa num momento de crise, por isso que vamos manter os programas sociais. Outro exemplo de programa social é o Luz para Todos. Ao levar energia, nós modificamos para sempre o padrão de algumas zonas do Brasil. Nós temos três grandes alavancas para o crescimento: a primeira é uma política macroeconômica sólida, controle da inflação, câmbio flexível e robustez fiscal, com acúmulo de reservas e garantia do investment grade. A segunda é o mercado interno: crédito, ampliação do emprego, ganho real de salário e programa social. A terceira é a política externa diferenciada e multilateralista.
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