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A nova primavera nuclear
Angra 3 é apenas o primeiro passo de um ambicioso programa energético em torno do urânio nacional

Adriana Nicacio

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Divulgação

Meta ousada:

Depois da conclusão da terceira usina em Angra dos Reis, no litoral fluminense, o governo federal pretende instalar de seis a oito novas geradoras até 2030

DEPOIS DE MAIS DE DUAS décadas na geladeira, a construção da terceira usina nuclear de Angra dos Reis finalmente saiu do papel. E, ao que tudo indica, será apenas o primeiro passo de um ambicioso projeto de expansão nuclear do governo, que prevê a instalação de seis a oito novas usinas até 2030. Por isso, as atenções estão voltadas para o desafio de concluir Angra 3, que foi interrompida em 1986 com 30% das obras realizadas. Ameaçado pelo fornecimento incerto do gás boliviano e as dificuldades para se conseguir licenças ambientais para as novas hidrelétricas, o governo decidiu resgatar Angra 3, que nasce com um potencial de energia de 1.400 megawatts.

Com a paralisação das obras, 13,5 mil toneladas de equipamentos do núcleo de geração energética da usina, a "ilha nuclear", ficaram armazenados na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, entre os municípios de Angra dos Reis e Paraty. Esse material está avaliado em US$ 700 milhões e, por ano, gastam-se US$ 20 milhões em manutenção e conservação. Para ser concluída, a obra custará R$ 7,3 bilhões. "Depois da conclusão de Angra 3, teremos uma térmica nuclear por ano até chegarmos a um total de 60 mil megawatts daqui a 50 anos", disse à DINHEIRO o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Se a licença de instalação sair até março, como está previsto, a obra terá início em abril de 2009, o que permitirá o início de operação em dezembro de 2014, com o custo da energia elétrica em R$ 140,00/MWh. A construtora Andrade Gutierrez, que venceu a licitação em 1983, espera começar a concretagem tão logo o Ibama libere a licença. "Angra 3 é exatamente igual à Angra 2, que foi concluída com sucesso e é perto dos grandes centros consumidores, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte", diz o presidente da Andrade Gutierrez, Rogério Nora de Sá. "Essa proximidade torna a energia mais barata porque se pode evitar a construção de extensas linhas de transmissão", diz ele.

A experiência com a construção e montagem de Angra 2 também deixou claro que as empresas nacionais têm plena capacidade técnica para atuar nesse setor. As novas encomendas para a conclusão de Angra 3 vão movimentar a indústria nacional, que terá participação ativa nas encomendas de R$ 1,4 bilhão. O superintendente de Gerenciamento de Empreendimentos da Eletronuclear, Luiz Manuel Messias, adianta que os novos pedidos serão tanto de equipamentos quanto de serviços. "Vamos precisar de painéis digitais de controle, dutos, bombas e válvulas, pontes rolantes, isolamento térmico, sistemas de ventilação e de proteção contra incêndio e equipamentos elétricos", diz Messias. Segundo ele, as peças armazenadas não ficaram obsoletas, porque o projeto de Angra 3 tem o mesmo modelo de usinas recém-construídas na Alemanha, da série Convoi, entre as de melhor desempenho no mundo.

A energia produzida em Angra será ligada ao Sistema Elétrico Nacional para atender ao aumento da demanda e vai permitir que o Brasil diversifique um pouco sua matriz energética, hoje predominantemente de hidrelétricas, com 80%. "Hoje, as termelétricas são competitivas funcionando de forma complementar. Mas se ficarem ligadas o tempo todo elas ficam muito caras e a nuclear passa a ser mais competitiva. É fundamental implementar as nucleares", diz o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

O Brasil tem ainda a vantagem de ter a sexta maior reserva de urânio do mundo, estimada em mais de 300 mil toneladas, embora apenas 30% do território tenha sido prospectado. De acordo com estimativas da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), essa quantidade é suficiente para alimentar 32 usinas nucleares como Angra 3. O Brasil tem expertise, competência, mão-de-obra e matériaprima, todos os requisitos necessários para participar do boom vivido pelo setor nuclear no mundo.

AG. ISTOÉ

R$ 7,3 bilhões

É o custo estimado para a conclusão da usina de Angra 3. Equipamentos avaliados em US$ 700 milhões estão comprados há mais de duas décadas e os gastos com manutenção são de US$ 20 milhões/ano.

 


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