O desafio é verde O Santander prepara mudança para megaedifício em São Paulo. Mas descobriu que é difícil preenchê-lo com materiais ecológicos
ADRIANA MATTOS E MÁRCIO KROEHN

QUANDO O BANCO SANtander adquiriu o antigo prédio da Eletropaulo, na Marginal Pinheiros, em São Paulo, estava claro que dali sairia um dos maiores empreendimentos comerciais do País. Um dos únicos dados oficiais a respeito do empreendimento divulgado na época era o valor de R$ 1 bilhão pago pelo espaço, batizado de Torre São Paulo, à antiga dona, a construtora WTorre. Apenas três meses após a venda, é possível ter uma noção melhor não só do que está sendo feito ali dentro como também dos grandes nomes envolvidos no projeto. A previsão inicial de inauguração da obra, em março do próximo ano, deve ser revista, apurou a DINHEIRO. Uma data mais realista seria maio de 2009, mas a empresa ainda não bateu o martelo sobre a nova estimativa. Não se trata apenas de um atraso daqueles sempre comuns às grandes obras de construção civil. O desafio a ser superado agora é encontrar fornecedores capazes de atender, em uma escala poucas vezes vista, às exigências feitas pelo cliente. Todo o acabamento e mobiliário do edifício, que será a nova sede do banco no País e abrigará cerca de 11 mil pessoas, deve seguir padrões rígidos de sustentabilidade em sua produção, de acordo com as normas do Santander.

E isso não se encontra facilmente em um mercado ainda jovem. "É tanta reunião que já nem sei mais em quantas fui. O rigor lá dentro é enorme", diz um fornecedor do ABN Real, controlado pelo banco espanhol.
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Todo mundo quer um pedaço desse bolo - o investimento total na fase final da obra deve superar os R$ 250 milhões, segundo cálculos feitos por um empreiteiro para a DINHEIRO (procurado, o banco preferiu não se pronunciar sobre essa questão). O Santander teria contatado um exército de 800 empresas terceirizadas para conseguir encontrar os materiais verdes com as especificações pedidas pelo presidente Fabio Barbosa, um dos executivos brasileiros mais ligados à causa da sustentabilidade. Antigos parceiros do ABN foram procurados pelo banco espanhol para apresentar orçamentos para produtos e serviços. Há propostas que foram encaminhadas para a empresa há mais de dois meses. "Não há o que fazer, já contávamos com essa demora", diz um diretor de uma fabricante de PVC ecológico. Em alguns casos, o fornecedor se adequa às regras, mas não consegue atender aos pedidos dentro da escala e da velocidade esperadas.
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COLOSSO SUSTENTÁVEL: novo edifício, de 28 andares, deve receber 11 mil pessoas. No detalhe, projeção da obra quando concluída |
O risco é de que, na tentativa de fazer o empreendimento sair do chão, o projeto do "prédio verde" seja alvo de algumas concessões. "Um empreendimento sustentável pode e deve sofrer adaptações diante da realidade. Ele precisa se pautar por regras pré-definidas, mas tem de ser, antes de qualquer coisa, economicamente viável", diz Newton Figueiredo, presidente do grupo Sustentax, consultoria da área. Fornecedores que estão participando do processo de escolha têm comentado no mercado o rigor da empresa. É preciso passar por uma longa entrevista, apresentar as especificações e suas diferenças técnicas com as concorrentes e provar a qualidade do material. Em 10 de dezembro, os escolhidos devem ser anunciados para iniciar a montagem interna do edifício, com 136 metros de altura, 18 elevadores sociais e 2,4 mil vagas na garagem. Segundo apurou a DINHEIRO, será preciso "abastecer" o espaço com cerca de 12 mil cadeiras, mais de 60 câmeras de segurança, além de uma rede de fios de cobre e fibra óptica que permitirá a transmissão de dados numa velocidade de 600 megabits por segundo. Quem recebeu a tarefa de cuidar do projeto de design foram os americanos da Arquitectonia, com sede em Miami. A escolha era mantida em sigilo, mas foi confirmada pela empresa no Exterior. |