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"Sem a fusão, Oi e BrT serão engolidas"
POR GUSTAVO GANTOIS

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Nos próximos dias, a Agência Nacional de Telecomunicações deverá avaliar a proposta de aquisição da Brasil Telecom pela Oi, que pretende criar uma empresa nacional capaz de competir com os espanhóis da Telefônica e os mexicanos da Telmex. Na opinião do primeiro presidente da agência, Renato Guerreiro, a fusão das duas empresas fará bem ao País. Caso contrário, elas sucumbirão à força do mercado e serão engolidas pelas concorrentes. "Se a Oi e a Brasil Telecom não se unirem para formar uma grande empresa, elas serão absorvidas pelos rivais", avalia. Nesta entrevista, Guerreiro ainda fala sobre a deterioração do papel das agências reguladoras e a penúria financeira que poderia ser evitada pelo governo.

DINHEIRO - O novo Plano Geral de Outorgas da telefonia, que permite fusões, é bom para o País?
RENATO GUERREIRO
- Quando o plano foi organizado, em 1998, ele tinha um objetivo muito claro, que era o de fazer uma divisão de mercado que proporcionasse e estimulasse investimentos no País no sentido de cumprir as metas de universalização. Tínhamos 13 milhões de telefones fixos e uma demanda que, imaginava-se, chegava a 28 milhões. Àquela época era necessária a estratificação, mas essa realidade foi superada. Eu acho que o plano precisava ser revisto e que essa restrição tinha de ser retirada. Mas, em meio a todo esse processo, precisariam ter sido ex- Entrevista / Renato Guerreiro plicitadas, claramente, as vantagens de construirmos uma empresa nacional de telecomunicações.

DINHEIRO - O sr. está falando da compra da Brasil Telecom pela Oi?
GUERREIRO - Sim, e a vantagem é a que a gente tem empresas brasileiras em uma série de segmentos, como uma Embraer, uma Petrobras e uma Vale. Essas empresas estão inseridas no mercado internacional. E isso gera uma certa dinâmica interna, com geração de empregos e uma série de virtudes. Se a fusão não ocorrer, em cinco anos as duas podem ser absorvidas pelas concorrentes.

DINHEIRO - É essa a tendência?
GUERREIRO - O mundo inteiro vive um processo de consolidação de empresas. O exemplo mais relevante é o dos Estados Unidos, uma das principais fontes de inspiração dos modelos das telecomunicações em todo o mundo. Lá, as chamadas babybells, as sete empresas que dividiam o país por áreas geográficas após o desmembramento da Bell, se consolidaram em três grandes grupos com atuação, na maioria dos serviços, de âmbito nacional. Ficou claro, no caso americano, que a divisão artificial do mercado levou a um processo natural de consolidação. Na Europa é ainda mais evidente. Como as empresas são praticamente monopolistas, como a Telefônica, a British Telecom e a Deutsche Telecom, já há um movimento de consolidação supranacional. A France Telecom está conversando com a Telia, da Suécia.

DINHEIRO - Como está dividido o mercado brasileiro?
GUERREIRO - Temos, com participação forte, dois grupos: a Telefônica e a Telmex. Temos também a Telecom Italia, mas numa proporção menor. A Telefônica detém, na América Latina, cerca de 25% dos telefones fixos e móveis. A Telmex tem 35%. A Brasil Telecom e a Oi, juntas, possuem 10%. Se BrT e Oi não se unirem para formar uma grande empresa, serão absorvidas pela Telefônica e pela Telmex.

DINHEIRO - E como ficaria a divisão do mercado se o negócio sair?
GUERREIRO - Nas bases atuais, a nova tele teria cerca de 27% do mercado. A Telefônica, incluindo a Vivo, ficaria com 29%. A Telmex, juntando Embratel e Claro, teria 20%. A TIM ficaria com 19% e as demais com 5%. Nos serviços de longa distância apenas, a BrT-Oi ficaria com 42% do total de minutos tarifados, com a Embratel próxima a 24% e a Telefônica com 23%. É uma disputa mais parelha, que gera concorrência para o setor.

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

DINHEIRO - E que gera críticas de que resultaria na criação de uma supertele financiada pelo governo.
GUERREIRO - Aí são dois pontos. O primeiro é que não entendo esse conceito de supertele. Super em quê? A Telefônica tem o melhor e o segundo melhor mercados do Brasil, que são a capital e o interior de São Paulo. A base instalada está consolidada. A nova tele vai pegar bons mercados? Vai. Temos Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais, por exemplo. Mas também vai pegar os piores mercados, como a Amazônia, o interior do Nordeste e o Centro-Oeste. É super em tamanho geográfico, mas também nos problemas de uma área tão diversificada.

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