10 perguntas para Arne Sorenson ROSENILDO GOMES FERREIRA, DE NOVO ARIPUANÃ (AM)

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"Temos apenas quatro hotéis no Brasil. É muito pouco para nossas ambições" |
A cadeia hoteleira americana Marriott decidiu abraçar a causa da preservação da Amazônia. Isso será feito por meio da doação de US$ 2 milhões à Fundação Amazônia Sustentável, gestora de programas como o Bolsa Floresta - que atua no combate ao desmatamento com projetos de geração de renda para as populações locais. "Nossa intenção é sensibilizar fornecedores e hóspedes a apoiarem essa iniciativa", explica Arne Sorenson, vice-presidente do Grupo Marriott. Nesta entrevista à DINHEIRO ele fala da face verde da rede hoteleira e dos planos para o Brasil.
DINHEIRO - Por que o Grupo Marriott decidiu apoiar a preservação da Amazônia?
ARNE SORENSON - Há cerca de dois anos nós começamos a discutir como poderíamos zerar nossas emissões de carbono. Nosso presidente, J.W. Bill Marriott Jr., conheceu a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e ficou encantado com o trabalho realizado pela ONG.
DINHEIRO - O sr. pensa em usar a estrutura do hotel Marriott para arrecadar doações para a Amazônia?
SORENSON - É claro. Uma das formas de viabilizar isso é disponibilizando folhetos, nos cerca de 400 mil quartos da rede, sugerindo a doação de recursos para a fundação.
DINHEIRO - Foi fácil convencer os acionistas a atrelar o nome Marriott à causa verde?
SORENSON - Sem dúvida. Ao contrário da maioria dos projetos de conversão de créditos de carbono, o trabalho da fundação tem como foco principal as pessoas que vivem na região. E isso torna mais fácil a percepção do impacto positivo desse trabalho.
DINHEIRO - O fato de o principal acionista, Bill Marriott Jr., ter se envolvido pessoalmente nesse projeto teve impacto nessa decisão?
SORENSON - O Bill Jr. é o grande mentor da guinada verde do Marriott. Hoje, a preocupação com a causa ambiental faz parte da missão e dos valores da empresa e é expressa nas atitudes cotidianas dos funcionários.
DINHEIRO - O trabalho realizado pelo Marriott serve de modelo para a indústria hoteleira mundial?
SORENSON - Quanto mais adesões conseguirmos agregar para a causa, maior será a sua visibilidade. E isso certamente abrirá espaço para que outras redes do setor hoteleiro sigam o mesmo caminho . Vamos fazer a nossa parte divulgando a causa da Amazônia entre nossos fornecedores e clientes.
DINHEIRO - Além de apoiar a Amazônia, o que mais o Marriott faz nesta área?
SORENSON - Temos bemsucedidos programas de eficiência energética e de reciclagem de resíduos, por exemplo. Do ponto de vista do negócio, eles são muito importantes. Basta dizer que a venda de papel para reciclagem banca integralmente o custo de coleta de todo o lixo de nossa matriz, situada em Washington D.C.
DINHEIRO - Mas os hóspedes valorizam a postura verde do Marriott?
SORENSON - Ainda não temos números que comprovem isso. Contudo, já está claro que os consumidores americanos e de outros países tendem a dar preferência às empresas que têm uma postura ecologicamente correta.
DINHEIRO - As empresas sustentáveis tendem a ser mais competitivas?
SORENSON - Creio que todas as empresas têm a obrigação de serem competitivas baseadas em sua atividade- fim. No Marriott, nós vamos além disso. Ao lado da questão ambiental procuramos nos envolver na vida das comunidades que cercam nossos empreendimentos, por meio de programas de voluntariado tocados pelos funcionários.
DINHEIRO - A Marriott perdeu espaço no mercado brasileiro após a saída do complexo de Sauípe, na Bahia. A empresa prevê novos investimentos no Brasil?
SORENSON - Hoje temos apenas três hotéis em São Paulo e um no Rio. E isso é muito pouco para nossas ambições em relação ao Brasil.
DINHEIRO - O sr. pensa em abrir um hotel em Manaus?
SORENSON - Com certeza. Mas nosso modelo de atuação prevê associação com empresários locais. E a crise econômica global dificultou o acesso a fontes de financiamento. Por isso, não creio que iremos conseguir expandir a rede no curto prazo. |