Botín enxerga o topo Dez entre dez banqueiros com problemas procuram o controlador do Santander, que emerge da crise financeira como o comprador da vez e desponta como um dos maiores empresários do planeta
MILTON GAMEZ

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"O Brasil é uma oportunidade fantástica. Em dois ou três anos, seremos tão lucrativos quanto Bradesco e Itaú"
EMILIO BOTÍN, presidente do Banco Santander |
SE DEPENDER DO BANQUEIRO espanhol Emílio Botín, o jovem piloto inglês Lewis Hamilton, da McLaren, será consagrado campeão mundial da Fórmula 1 no dia 2 de novembro, no autódromo de Interlagos. A vantagem de Hamilton sobre o brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, colocará a marca Santander em evidência durante toda a prova – é ela quem domina o aerofólio traseiro das máquinas de corrida da equipe de Ron Dennis e o campo de visão de quem estiver comendo poeira. Botín virá pessoalmente a São Paulo conferir a última etapa do Mundial de F-1 e aproveitará para reunir-se com clientes e funcionários dos bancos Santander e Real, agora sob o comando do brasileiro Fabio Barbosa. O time, em fase de unificação, trabalha dia e noite para finalizar o plano estratégico do grupo para o Brasil, a ser anunciado por Botín no dia 31 de outubro.
Não se esperam grandes novidades além das habituais medidas de redução de custos, maximização de lucros, integração tecnológica e outras formas de aproveitar as sinergias que sempre acompanham a incorporação de um banco por outro. O destino oficial da marca Real e dos funcionários será conhecido. Mas não se engane: os planos de Botín, maior empresário de seu país e um dos grandes empreendedores na América Latina, são ambiciosos.
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Chamado de El Conquistador, ele mira o alto do pódio: quer ser o maior banqueiro do mundo. E o Brasil, obviamente, tem uma grande participação nessa estratégia. “O Brasil é uma oportunidade fantástica”, afirmou Botín em Londres, em julho, ao receber o troféu de melhor banco do mundo, concedido pela revista Euromoney. “O País tem um enorme potencial de crescimento de sua riqueza. Já dispõe de Bradesco e Itaú, dois bancos muito grandes e bons. Mas estou confiante que em dois ou três anos, assim que unirmos nossas operações, seremos tão lucrativos quanto esses dois bancos”, disse ele.

O Santander é o único banco global com mais de 10% de mercado em um dos quatro países que formam os BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia), lembra o banqueiro. Conseguiu isso no ano passado, ao comprar o Real, a jóia da coroa do grupo ABN Amro, e ampliar os investimentos no País para mais de US$ 26 bilhões, usados também para levar o Banespa e outras instituições menores. A soma das operações deve gerar lucros de US$ 3 bilhões para o grupo neste ano, espera Botín. “Nosso investimento está dando lucro no primeiro ano. O Banespa nos deu presença marcante no mercado mais importante e mais rentável, São Paulo. E o Real nos dá uma operação muito mais nacional”, diz. O banco também é forte no México, no Chile e em Portugal. Agora, em plena crise financeira mundial, Botín mostra que está mais afiado do que nunca. Foi às compras nos Estados Unidos, epicentro do terremoto do subprime (empréstimos de alto risco), e na Inglaterra, levando a cabo um plano traçado muitos meses antes. “Dissemos no início de 2007 que a situação financeira global poderia se tornar muito difícil. E que também achávamos que, se isso acontecesse, estaríamos em uma grande posição para tirar proveito e nos capitalizar”, lembrou Botín.
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