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Governança Corporativa
Índices que derrubam mitos
Comportamento do Ibovespa e do IGC nos últimos meses contraria senso comum

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A crise dos mercados financeiros está derrubando alguns mitos da governança corporativa na bolsa de valores. O principal é que políticas e estruturas bem definidas de comando, fiscalização e responsabilidades bastam para evitar escândalos nas empresas. Não foi o que aconteceu no caso das perdas cambiais milionárias com derivativos por parte de empresas abertas, como Sadia e Aracruz, que fazem parte do Índice de Governança Corporativa, o IGC. A tormenta dos mercados também jogou por terra a concepção de que os adeptos da boa governança têm sempre maior valor percebido do que os seus concorrentes ao longo do tempo. Pelo menos, é o que mostra o desempenho do IGC nos últimos meses.

Nervosismo dos mercados DISTORCE OS PREÇOS E ÍNDICES refletem outra A realidade

Segundo os dados da Economática, o IGC valorizouse 31,55% em 2007, abaixo dos 43,65% do Ibovespa (veja gráficos). Em 2008, até o dia 22, o IGC perdeu 49,41%, mais que os 45,11% do Ibovespa. O termômetro das ações mais negociadas também teve um desempenho melhor que o Itag, índice que mede as empresas que oferecem tag along aos acionistas minoritários. Quem investiu R$ 100 mil no final de 2002 numa carteira baseada no IGC chegou ao fim do ano passado com R$ 663 mil, quase R$ 96 mil a mais que se tivesse aplicado numa carteira referenciada pelo Ibovespa no mesmo período. Desde janeiro, as mesmas carteiras caíram para R$ 320 mil e R$ 300 mil, respectivamente. A maior parte das perdas, em ambos os casos, ocorreu a partir de maio, com o aprofundamento da crise internacional.

Será que a surra do IGC reflete a crise da governança corporativa nas 160 empresas que o compõem? Peterson Paz, chefe de vendas institucionais da Schroders Investment Management Brasil, não acredita nessa tese. O nervosismo dos mercados está distorcendo os valores das ações, o que contamina o desempenho dos índices. "Estamos vivendo uma distorção de preços absurda. Não são os fundamentos que estão mandando na análise", afirma. "No pânico, a questão da boa governança foi para o segundo plano." Outra explicação é que o Ibovespa foi turbinado no ano passado pelos papéis da Vale e da Petrobrás, que têm maior peso do que no IGC e foram beneficiadas pela alta das commodities. E, nos últimos meses, o IGC tem sofrido mais com a queda das small caps, empresas de baixa capitalização, como as do setor imobiliário, que têm mais peso do que no Ibovespa. A conferir.

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