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Governança Corporativa
Sob a mira dos conselhos
Presidentes de bancos brasileiros são mais bem monitorados que os americanos

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ROGÈRIO ALBUQUERQUE/AG. ISTOÉ
Lázaro Brandão (esq.) e Márcio Cypriano SEGUEM PRINCÍPIOS do fundador do Bradesco

A incompetência dos conselhos de administração dos bancos que mergulharam na farra do crédito imobiliário de alto risco é um dos maiores mistérios do mundo corporativo nos Estados Unidos. O papel dos conselheiros foi um dos principais destaques da conferência da Associação Nacional de Diretores Corporativos, realizada na semana passada, em Washington. "O afrouxamento dos conselhos na detecção de investimentos de risco foi um dos fatores que contribuíram para o estouro da crise", diz a diretora- executiva do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Heloisa Bedicks, que participou do evento. "Os conselhos têm que se preocupar com a detecção, a avaliação e a monitoria dos riscos de um modo geral. Não apenas financeiros, mas também de sistemas, de talentos, de sucessão e riscos ambientais", afirma.

Uma das sugestões é a separação entre a presidência do conselho de administração (o cargo de chairman of the board) e a diretoria executiva (chief executive officer, o CEO). Lá, é comum que os cargos sejam ocupados pela mesma pessoa, o que impede a fiscalização do CEO pelo chairman. No Brasil, essa prática é menos usual. Segundo pesquisa com 404 companhias, 69% têm executivos distintos em cada cargo.

Os bancos Bradesco e Itaú são bons exemplos de instituições com políticas claras de governança corporativa e com a sucessão bem-equacionada. No Bradesco, o presidente do conselho é Lazaro de Mello Brandão, que substituiu o fundador Amador Aguiar e fiscaliza o trabalho do diretor-presidente, Márcio Cypriano. "Os princípios de governança, transparência e respeito aos clientes e acionistas foram estabelecidos há muitas décadas", lembra Jean Philippe Leroy, diretor departamental do Bradesco. No Itaú, Carlos da Câmara Pestana assumiu o conselho na vaga aberta com o falecimento de Olavo Setubal, em setembro, e monitora as ações da diretoria comandada por Roberto Setubal. Pestana conta ainda com a ajuda de conselheiros independentes, como o exministro Alcides Tápias e Tereza Grossi, ex-diretora do Banco Central. "Mostramos que tínhamos política de sucessão e realizamos as mudanças rapidamente", diz o superintendente de relações com investidores do Itaú, Geraldo Soares.

Alcides Tápias (esq.), Tereza Grossi e Câmara Pestana FISCALIZAM a diretoria executiva do Itaú

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