Game Over ? Fabricantes de videogames ameaçam virar as costas ao Brasil, caso a política tributária não mude
ROBERTA NAMOUR, DE PLAYA BONITA (PANAMÁ)
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| A CARGA DE IMPOSTOS pode incidir em até 257% sobre o preço dos consoles COMERCIALIZADOS NO PAÍS |
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"O BRASIL É UMA NOZ que todo mundo está ansioso para quebrar", afirmou Bill Van Zyll, gerente-geral da Nintendo para a América Latina, à DINHEIRO, no intervalo da convenção da fabricante no Panamá, realizada em meados de agosto. O problema é, pelo menos na indústria de games, que as dificuldades para destruí-la têm sido enormes. Presidente da Nintendo of America, Reggie Fils-Aime disse no mesmo evento que o Brasil tem potencial para se tornar o maior mercado da América Latina - hoje é o México. Por que não é, então? Uma simples comparação expõe o principal motivo. O game Wii, um dos maiores sucessos do setor nos últimos anos, custa US$ 249 nos Estados Unidos. No Brasil, sai por US$ 1.130. O disparate acontece graças à carga de impostos, que pode incidir em até 257% sobre o preço dos consoles. "Nós tentamos por diversas vezes conversar com o governo. Infelizmente, não obtivemos sucesso", disse Aime à DINHEIRO. "Se a estrutura de negócios não mudar, os brasileiros não poderão aproveitar os produtos que estamos trazendo ao mercado." A Nintendo decidiu, pelo menos temporariamente, dar as costas ao País, passando a se dedicar a países como Argentina e Colômbia, que têm políticas tributárias mais brandas.
1,6 BILHÃO
foi o prejuízo gerado pela venda de softwares ilegais no Brasil, em 2007 |
As vendas da indústria de games movimentaram US$ 9,5 bilhões em 2007, um aumento de 27% em comparação a 2006, segundo a Entertainment Software Association (ESA). Enquanto isso, no Brasil o setor caminha em marcha lenta. Um levantamento realizado recentemente junto a 32 empresas brasileiras que desenvolvem games no País mostrou que o Brasil representa apenas 0,16% do faturamento mundial de jogos eletrônicos. Outros fabricantes também estão receosos. "O Brasil está indo contra a corrente e perdendo grandes oportunidades", afirma Mark Linker, diretor da Disney para a América Latina. Para Guilherme Franco, diretor da Electronic Arts Brasil, fabricante do famoso game Guitar Hero, o governo está atento às necessidades de mudanças.
"Acredito que 2008 pode ser o ano da virada", diz. "Há uma pressão tremenda de diversas empresas." Muitas delas querem pelo menos que as autoridades aumentem a fiscalização ao comércio de produtos piratas, que geram enormes prejuízos às companhias que cumprem as regras do jogo. De acordo com a consultoria IDC, O Brasil é o décimo país com maior prejuízo gerado pela venda de softwares ilegais. Apenas em 2007 as perdas chegaram a US$ 1,6 bilhão.
Enquanto o governo não se mexe, alguns fabricantes têm procurado meios de driblar as dificuldades. A solução encontrada pela japonesa Sony e pela francesa Ubisoft para tornar seus produtos mais competitivos foi produzir games e consoles no País.
No mês de julho, a Ubisoft, desenvolvedora do jogo Splinter Cell, inaugurou um estúdio de produção em São Paulo. No final de agosto, o Conselho de Administração da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) aprovou a fabricação do PlayStation 2 nas instalações da Sony no Pólo Industrial de Manaus. O projeto envolve um investimento total de R$ 8,8 milhões. Outra iniciativa foi baixar a margem de lucro para tentar compensar os tributos brasileiros. "Se atingirmos um patamar de preços razoável, o Brasil pode assumir a liderança da América Latina em menos de três anos", afirma Franco. As empresas têm pressa. Nesse jogo, o Brasil já queimou muitas vidas. |