A era das supercontratações As grandes empresas enfrentam um desafio inédito: o de recrutar milhares de pessoas de uma só vez e encontrar talentos num mercado de trabalho bastante aquecido. Nesta fase de megacontratações, o governo já projeta a criação de dois milhões de empregos com carteira assinada, mas a falta de qualificação ainda deixa muitas vagas em aberto
POR HUGO CILO
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Mil funcionários serão contratados por mês até 2009, segundo o diretor, Marcos Próspero, que irá abrir 90 lojas |
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TODA MANHÃ, O presidente da MRV Engenharia, Rubens Menin, acorda em uma cidade diferente. Cumpre a rotina de visitar seus 204 canteiros de obras pelo País e cumprimentar engenheiros e operários. A cada visita, no entanto, encontra novos rostos. Isso porque a empresa triplicou em 12 meses o número de empregados - saltou de quatro mil pessoas, em julho de 2007, para 12.340, em julho deste ano. E a previsão é superar 18,6 mil até dezembro deste ano. "Estamos convidando gente que estava na informalidade e pagando bem. Queremos dobrar a produção e ampliar em cerca de 80% as contratações, além daquilo que já planejamos", afirma Menin, que prevê que o mercado da construção civil residencial quadruplicará de tamanho nos próximos cinco anos. O dia-a-dia de Menin e o crescimento da MRV refletem um novo fenômeno na economia brasileira, o das supercontratações. Os recrutamentos em massa já se espalharam por toda a economia, do agronegócio à aviação. Tanto é que nem o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, acreditou quando viu os números de empregos criados em julho, com carteira assinada. Nas planilhas do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego, o Caged, ele descobriu que no mês passado, marcado tradicionalmente pelo desaquecimento da economia, foram gerados 203 mil novos postos de trabalho. O número é 60% maior do que o mesmo período do ano passado. Lupi olhou de novo para a planilha, esfregou os olhos para conferir os dados e sorriu ao perceber que no ano de 2008 já foi criado 1,5 milhão de empregos. "Tenho certeza de que bateremos a marca de dois milhões de pessoas com carteira assinada em 2008", disse o ministro à repórter Adriana Nicacio, da DINHEIRO, em Brasília. Na opinião de Lupi, essa é uma demonstração de que a economia está rodando num ritmo forte, com crescimento de renda e aumento do poder de compra.
| Com as grandes contratações, a massa de rendimentos no Brasil vem crescendo 7% acima da inflação, o que realimenta o crescimento econômico e estimula a tomada de crédito pelas pessoas físicas e empresas |


A expansão da massa salarial é o mesmo motivo que inspira o Wal- Mart a investir e contratar. A rede varejista pretende recrutar dez mil funcionários no País nos próximos 12 meses. Isso mesmo: quase mil por mês. Tudo para atender às 90 inaugurações programadas em 2009. "Precisaremos de dez mil pessoas, mas temos de ter mais umas 20 mil na manga. Isso porque a rotatividade no varejo ainda é extremamente alta, na casa de 30% ao ano", diz o vice-presidente de Capital Humano do Wal-Mart Brasil, Marcos Próspero. Segundo ele, a empresa ainda não tem encontrado dificuldades em buscar mão-de-obra no mercado, mas a falta de pessoas com "espírito de liderança" é o que mais o preocupa. "Queremos provar aos nossos funcionários e às nossas lideranças que o varejo é uma grande oportunidade de carreira, não apenas um emprego quebra-galho." Outra empresa que não esconde o otimismo na hora de contratar é a varejista francesa da construção, Leroy Merlin. De acordo com o diretor- geral Alain Ryckeboer, a rede irá inaugurar três grandes lojas em Goiânia, Belo Horizonte e Porto Alegre até o início e 2009. As novas unidades irão gerar cerca de 1.350 empregos diretos e indiretos.

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