ESTRATÈGIA
O fundo do eu sozinho Os fundos de investimentos trazem vantagens para os milionários. Saiba por que vale a pena ter um
MÁRCIO KROEHN
O CLUBE DOS BRASILEIROS COM pelo menos US$ 1 milhão (R$ 1,6 milhão) em ativos financeiros ganhou o reforço de 23 mil pessoas no ano passado, segundo o banco americano Merrill Lynch. Os bancos e as gestoras independentes de recursos têm atraído os participantes desse seleto grupo - são 143 mil milionários - com um tipo de investimento ideal para chamar de seu: os fundos exclusivos. Indicado para quem possui no mínimo R$ 5 milhões disponíveis para aplicar, o "fundo do eu sozinho" traz vantagens que justificam arcar com o pagamento dos custos de administração e manutenção da carteira. A maior delas é montar uma estratégia de investimentos baseada no seu perfil pessoal. E exigir mais retornos das instituições financeiras, indo além dos mimos habituais oferecidos aos clientes de alta renda.
O CLIENTE DE ALTA RENDA PRECISA DE
PELO MENOS
R$ 5 MILHÕES
PARA MONTAR SUA CARTEIRA INDIVIDUAL
Há mais de R$ 1,1 trilhão em fundos de investimento no País. Os exclusivos, segundo a Anbid, abrigam 66,5% dos recursos do setor, inclusive o dinheiro dos investidores institucionais. O tipo mais comum é o Fundo de Investimento em Cotas (FIC). O milionário utiliza o FIC como veículo para investir em outros fundos. Assim, consolida numa única cesta todas as suas aplicações em diversos bancos e gestores de patrimônio. Todo o trabalho burocrático fica por conta da instituição financeira que ele escolher para cuidar de seu FIC. "O FIC é um investimento que consolida diversas aplicações em uma cota só", explica Roberto Kropp, diretor do Daycoval Asset Management. Quem se encarrega de calcular essa cota única é seu banco ou corretora. Sobra mais tempo, portanto, para fazer coisas mais importantes, como definir e rever as estratégias conforme o desempenho dos mercados.
Outra vantagem é tributária. Quem decide sair de um fundo antes de completar seis meses da aplicação inicial paga a carga tributária máxima de 22,5%. O FIC ajuda a driblar essa mordida, pois o Imposto de Renda, que pode cair para até 15%, só é cobrado no resgate da cota. "No FIC, o investidor pode fazer quantas movimentações quiser sem perder a vantagem tributária do fundo", diz Marcelo Figueiredo, superintendente de alocação de recursos do Banco Fator. Este ano, o Fator abriu oito fundos exclusivos e captou R$ 250 milhões.
Os mais ricos têm uma opção adicional. Investidores com R$ 30 milhões podem montar o seu Fundo de Investimentos (FI). Através dele, o gestor escolhido poderá analisar outras opções de ativos que não sejam apenas as cotas de fundos de renda fixa e variável. Essa é a grande diferença para um FIC: a liberdade para alocação dos recursos. Ações, créditos privados e derivativos, por exemplo, podem fazer parte da diversificação do fundo. "A procura de outras alternativas está fazendo os investidores trocarem os FICs pelos FIs", diz Otávio Vieira, gestor do Safdié Private Banking, que administra R$ 350 milhões em carteiras exclusivas.

É importante o investidor definir no mandato de abertura do fundo a política de investimento e o perfil de risco que pretende correr. Caso outros fundos abertos tenham políticas parecidas, recomenda-se questionar a necessidade de ter o próprio fundo. "Um fundo exclusivo precisa ser aberto para quem tem demandas específicas", afirma Márcio Appel, diretor do Safra Asset. A rentabilidade é outro ponto para se ficar atento. Criar um fundo de investimentos exclusivo é partir em busca de um retorno mínimo de 105% do CDI. Menos que isso, o investidor pode começar a ver seu dinheiro desaparecer. "Uma desvantagem dos fundos exclusivos é que os custos pesam e podem comer a rentabilidade das cotas", diz Figueiredo.
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