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Walter Torre o engenheiro que constrói bilhões
Sua empresa começou com um ônibus velho que ele mesmo dirigia. hoje, a wtorre possui uma carteira de r$ 4 bilhões em projetos

AMAURI SEGALLA

MOTIVO DE SOBRA PARA SORRIR: nenhuma construtora brasileira cresce tanto quanto a sua
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EM MEADOS DOS ANOS 70, O recém-formado engenheiro civil Walter Torre Júnior começou a construir e vender casas de veraneio no litoral paulista. O negócio ia bem, mas ele descobriu algo melhor. Em 1981, ouviu dizer que muitas empresas não encontravam galpões de armazenagem para alugar. Sem muito dinheiro no bolso, comprou um ônibus velho. Com o veículo, que ele próprio dirigia, percorria cidades do interior de São Paulo em busca de fábricas abandonadas. O esquema era simples. Walter oferecia ao dono do imóvel um preço baixo e, graças a seu poder de persuasão e à decrepitude do lugar, geralmente conseguia convencê-lo a vender a fábrica. Depois, reformava o prédio e o alugava. Com o tempo, percebeu que, se fizesse as obras exatamente de acordo com o que as empresas precisavam, poderia conseguir um preço mais alto pela locação. Para economizar, transformou o ônibus em um escritório ambulante. Fez isso durante três anos, até juntar dinheiro suficiente para abrir uma sede na cidade de São Paulo. A fama de construtor de fábricas cresceu rapidamente.

De pequenos empresários, seus clientes passaram a ser gigantes como Pirelli, Mul- Capa tibrás, Nestlé, Casas Bahia, Volkswagen, Carrefour, Univeler, entre tantos outros. Menos de três décadas depois do início capenga, Walter é, aos 52 anos, um dos empresários mais bemsucedidos do País. Sua empresa, a WTorre, virou referência na construção de imóveis industriais e corporativos.

Os projetos tocados pela companhia somam, pelo menos, R$ 4 bilhões, e novos contratos não param de chegar.

Ao contrário de outros empreendedores que chegaram ao topo de forma fulminante e que gostam de fazer barulho de seus feitos, Walter é um sujeito arredio. A comparação com Eike Batista é inevitável. Enquanto este aparece nos jornais dia sim, dia não, Walter prefere ficar longe dos holofotes. Eike é vaidoso, adora ser fotografado, sente prazer de ser visto ao lado de belas companhias femininas. Walter detesta badalação. Mantém um casamento discreto com a arquiteta Silvia Maria Moreira Torre e raramente é visto nas festas de celebridades. Em comum com Eike, o dono da WTorre tem o gosto pela vida náutica. Ele possui um iate Ferreti de 78 pés, que ganhou em troca de um serviço prestado para um ex-empresário do setor de medicamentos. O barco vale US$ 5 milhões e foi batizado de “Midnight”. Antes, possuía um iate Cabrasmar, de 80 pés, fabricado por um antigo estaleiro do Rio de Janeiro, e que foi vendido por US$ 1,6 milhão. O empresário também aprecia aviões. “Ele comprou, no ano passado, um jato Gulfstream G20”, diz um amigo que o conhece há 20 anos. O valor da fatura? Entre US$ 12 milhões e US$ 14 milhões.

Pessoas próximas ao engenheiro dizem que a personalidade ao mesmo tempo discreta e obstinada foi fundamental para o sucesso da construtora. Walter é um executivo de bastidores, ótimo para negociar preços e melhor ainda para fazer seus subordinados trabalharem duro. “Ele tem um estilo direto”, diz o engenheiro Raphael D´Amico, amigo de longa data e que já fez inúmeros negócios com o empresário, o primeiro deles a venda de um terreno em Alphaville, na Grande São Paulo, há 30 anos. “Como todo engenheiro, não enrola na hora de apresentar seus argumentos. Às vezes, é sincero até demais.” A concorrência também o admira. “O Walter é um homem de visão”, diz Hugo Marques da Rosa, dono da Método Engenharia. “Seu grande mérito na construção foi ter implantado no Brasil uma versão mais moderna do sistema build-to-suit.”

Trata-se, em linhas gerais, da construção de empreendimentos sob medida para alugar para determinado cliente.

Foi Walter quem levou o conceito para as grandes obras.

A WTorre é reconhecida como a construtora mais veloz do mercado. Dois fatores explicam a agilidade: dinheiro e tecnologia. O primeiro a companhia resolve com o financiamento de bancos parceiros, como Santander e Itaú. Como suas obras são financiadas com a venda de recebíveis, títulos lastreados na receita futura que vem do aluguel dos imóveis, e seus clientes são empresas de grande porte, a WTorre não tem dificuldade para conseguir os recursos necessários para tocar as obras. Em um setor que exige capital intensivo, a disponibilidade financeira pode definir o sucesso de um projeto. Quanto à tecnologia, uma das inovações da empresa é uma técnica, importada dos Estados Unidos, conhecida como “tilt-up”, que permite moldar as paredes no chão, erguê-las por meio de guindaste e depois traválas por um telhado metálico.

WALTER É OBCECADO PELO TRABALHO. QUANDO NÃO ESTÁ NO ESCRITÓRIO, VAI À RUA ACOMPANHAR AS OBRAS DE PERTO

Outro diferencial é a dose de ousadia que muitas outras empresas não possuem. No ano passado, Walter comprou um terreno de 60 mil metros quadrados na Marginal Pinheiros, na zona sul de São Paulo, por RS 397 milhões. O surpreendente é que o local era conhecido, até então, como um dos maiores micos imobiliários do País. O motivo é que o terreno abriga, há 15 anos, o esqueleto do prédio da Eletropaulo, obra abandonada por razões judiciais. Quando a WTorre anunciou a compra, muitos concorrentes torceram o nariz. Para alguns, a aquisição foi um gesto de loucura. Walter teve a idéia de fazer ali um complexo com mais de mil escritórios de altíssimo padrão, um hotel seis-estrelas e uma nova unidade, ainda mais luxuosa, do Shopping Iguatemi. O tempo parece dar razão ao empresário. A maioria dos escritórios já está comercializada, sob locação. “A receptividade das empresas para o novo shopping também tem sido excelente”, diz Carlos Jereissatti Filho, o Carlinhos, superintendente da Iguatemi Empresa de Shopping Centers e sócio de Walter no projeto.

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