Milionários sem diploma Eles fizeram milhões mesmo sem completar os estudos. Seu exemplo, agora, será a base de uma espécie de MBA popular, a Escola da Vida
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BILL GATES ABANDONOU Harvard, montou a Microsoft, e se tornou um dos homens mais ricos do mundo com uma fortuna de US$ 58 bilhões. Samuel Klein veio da Polônia para o Brasil fugido de um campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial, começou a vender utensílios domésticos de porta em porta, fundou as Casas Bahia e hoje é o rei do varejo brasileiro com uma empresa que faturou R$ 12,5 bilhões em 2007. Silvio Santos, um camelô no Rio de Janeiro, virou dono de mais de 30 empresas e do canal de televisão SBT. O que todos esses empresários com histórias tão diferentes têm em comum? Além de patrimônios que ultrapassam nove dígitos, nenhum possui diploma de curso superior. Ou abandonaram o mundo acadêmico antes de conquistar o diploma ou nem mesmo tiveram a chance de chegar lá. Aprenderam na marra, quebraram a cara em algumas ocasiões, porém, triunfaram. E é de olho nesses casos que os empresários Ricardo Bellino, o homem que trouxe a Elite Models para o Brasil, e José Carlos Semenzatto, dono da Microlins, rede de escolas com 770 unidades e faturamento de R$ 323 milhões, decidiram criar um curso batizado de Escola da Vida. “É um curso que vai mostrar a história desses empreendedores”, diz Bellino.
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| OS IDEALIZADORES José Carlos Semenzatto (à esq.), presidente da Microlins, encampou a idéia do empresário Ricardo Bellino (à dir.) |
O curso, que será lançado em agosto, custará cerca de R$ 1,2 mil e terá uma grade de 72 horas de aulas divididas em um período de seis meses. “Queremos mostrar aos jovens que a maioria absoluta dos milionários no mundo não herdou riqueza nem tampouco concluiu um curso superior”, diz José Carlos Semenzatto, presidente da Microlins. “A maioria venceu pela obstinação, seguindo os sonhos e correndo atrás.” Para mostrar esses casos, o curso será dividido em seis módulos: descobrindo o espírito empreendedor; trabalhando a imagem; comunicação e construção de relacionamentos; organização; determinação, persistência e proatividade; e liderança. A meta é ter dez mil alunos até o fim de 2008 e, dentro de dois anos, angariar 150 mil alunos. Por enquanto, o curso será ministrado em metade das escolas da Microlins e também poderá ser acompanhado por teleconferência.
A Escola da Vida, uma espécie de míni MBA popular, mal nasceu e já chamou a atenção do empresário mexicano Ricardo Salinas, dono de uma fortuna de US$ 5 bilhões. “Ele adorou a idéia e vai dar uma aula magna”, diz Bellino, que o encontrou em Miami. Além disso, Salinas apresentou Bellino a seu irmão, Guilherme, dono da mexicana Universidade CNCI. “Terei uma reunião com ele para implantarmos a Escola da Vida no México, nos Estados Unidos e na Espanha”, explica Bellino. Apesar de empolgar até mesmo o magnata Ricardo Salinas, o projeto é controverso. Afinal, mostra nas salas de aula que não é necessário ter diploma para ter sucesso. “Não é uma contradição, ao contrário. É isso que torna a Escola da Vida relevante. Vamos ensinar na nossa escola o que não se aprende na escola tradicional. E o que não se aprende na escola tradicional é como ser um empreendedor de sucesso”, responde Bellino. Não é bem assim. “Conhecer a história dos empreendedores é válido. Mas para ser empreendedor é preciso ter várias habilidades”, diz Silvio Aparecido dos Santos, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo. Um empreendedor tem de ter capacidade de identificar oportunidades, saber vender a sua idéia para pessoas que possam apoiá-lo, concretizar o projeto e entregar o que promete. “É a pessoa que faz acontecer”, explica Aparecido. A Escola da Vida pode ser, pelo menos, a semente disso tudo. |