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O homem que a água reinventou
Para brigar com mais de 520 concorrenes, Guto Mocellin, da Ouro Fino, deu à água mineral uma roupagem fashion

ROBERTA NAMOUR, DE CAMPO LARGO (PR)

FOTOS: CLAUDIO GATTI/AG. ISTOÉ
"A idéia agora é exportar o nosso know-how ao mercado mundial"
GUTO MOCELLIN, PRESIDENTE DA OURO FINO
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DESDE OS BANCOS ESCOLARES, a água é descrita como algo insípido, inodoro e incolor. Para os fabricantes de água mineral, porém, a bebida tem sabor especial. Só no ano passado, cerca de 6,8 bilhões de litros d’água foram consumidos, 10% a mais do que em 2006, de acordo com estimativas da Abinam, a associação que reúne as empresas do setor. Isso representa um faturamento de R$ 900 milhões anuais. Mas todo mercado em franca expansão também atrai muita gente. E o de águas minerais não fugiu à regra. Hoje existem mais de 520 envasadores.

Os sete maiores representam 23% da produção brasileira de água engarrafada. Entre eles, há gigantes como Coca-Cola, Nestlé e Imbev. Como, então, enfrentar concorrentes desse porte num mercado pulverizado? Guto Mocellin responde: “Agregando valor à água”. “No Brasil, é proibido fazer propaganda das propriedades terapêuticas da água”, diz ele. “A maneira de se diferenciar é na embalagem e no sabor.” Bem, vamos às apresentações. Mocellin é um dos acionistas da Ouro Fino, fabricante de água mineral de Campo Largo, no Paraná.

Uma das marcas mais tradicionais do setor, ela pertence à sua família desde 1946 e é líder absoluta do mercado paranaense, com 67% de participação. Segundo estimativa do mercado, seu faturamento foi de R$ 60 milhões em 2007.

FÁBRICA DE CAMPO LARGO: envasadora Ouro Fino aposta na produção de embalagens diferenciadas e em água mineral saborizada para ganhar terreno em âmbito nacional

Nos últimos três anos, a empresa investiu US$ 1,2 milhão na modernização de equipamentos e adaptação da fábrica de envase. Com isso, reuniu condições para fazer dois movimentos. Primeiro, seus produtos ganharam espaço nas prateleiras do eixo Rio-São Paulo, o mais disputado do País. Além disso, desenvolveu produtos especiais e deu um toque fashion às embalagens. Com o slogan “Agora você vai vender água com elegância e sofisticação”, dirigido para o ponto-de-venda, a empresa oferece a linha Red e Blue, em embalagens pequenas e bojudinhas com formato de moringa. São duas versões, como indicam os nomes: com gás (garrafa vermelha) e sem gás (azul).

O produto ganhou a preferência dos restaurantes da moda e conquistou a criançada, que passou a colecionar embalagens.

Outra aposta foi o lançamento da garrafa pink, cujo público-alvo são as mulheres. Parte de suas vendas são revertidas para o Hospital Erasto Gaertner, especializado em tratamento de câncer. A mais recente estratégia da empresa foi entrar no mercado de águas com sabor, com essências importadas. Nos sabores limão, maçã e tangerina, a novidade representa quase 12% do faturamento da empresa. Mocellin pretende lançar novos sabores de águas aromatizadas e outras variações de embalagens, uma delas própria para crianças, por exemplo. “Tudo que fiz até agora foi seguindo a minha intuição. O que está por vir continuará nesse rumo”, afirma Mocellin, de 45 anos, que se diz muito espiritualista. A expectativa da Ouro Fino é crescer 35% em 2008 – a expansão do mercado não deverá superar 10%.

NÚMEROS DA OURO FINO

R$ 60 milhões foi o faturamento estimado da empresa em 2007

US$ 1,2 milhão foi quanto investiu na modernização da fábrica de envase

150 milhões de litros é a meta de envase que espera atingir até o final do ano

35% é quanto a empresa planeja crescer em 2008

Para isso, as fábricas estão funcionando a todo o vapor. De 35 milhões de litros de água envasada por ano, a empresa espera atingir, até o final do ano, 150 milhões de litros, coletados em uma reserva ecológica de 9 milhões de metros quadrados, mantida pela empresa e aberta à visitação do público. A intuição de Mocellin também diz que é hora de rever sua posição no mercado externo. Em 2006, a Ouro Fino respondeu por 70% das exportações brasileiras de água. No ano seguinte, a porcentagem diminuiu, mas continuou como líder em exportação. “Ainda é inviável exportar pelo custo que acrescenta ao produto. A idéia agora é de exportar o nosso know-how ao mercado mundial”, anuncia Mocellin.