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Pais, filhos e ônibus
A história da família que criou um grupo de empresas voltadas para o transporte de passageiros

MÁRCIA VAISMAN

MARCELO FONTES/AG.ISTOÉ
"Desse negócio nós entendemos"
PAULO MIGUEL JR., PAULO MIGUEL E LUIZ FERNANDO: sinergia em família
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DESDE PEQUENO, QUANDO ACOMPANHAVA SEU PAI na supervisão da garagem da viação Expresso de Prata, Paulo Miguel tinha um sonho: comprar um ônibus que transitasse entre São Paulo e Foz do Iguaçu para atender os sacoleiros. O projeto nunca saiu do papel, mas os ônibus entraram em sua vida de maneira definitiva. Em conjunto com os filhos, ele criou um pequeno grupo de diversas empresas, todas ligadas ao transporte viário de passageiros. Hoje o grupo Paluana é composto por corretora de seguros focada em ônibus, locadora de automóveis, uma prestadora de serviços em caso de acidentes e transportadora. Mais: desde o início do ano, o empresário está investindo no serviço personalizado de carros para atender executivos. Inicialmente, são 25 veículos rodando na Grande São Paulo. A meta é chegar a 60. Com este investimento, Miguel espera fechar o ano com receita na casa dos R$ 10 milhões, contra os atuais R$ 6,65 milhões. À frente dos negócios estão ele e os filhos, Paulo Miguel Júnior e Luiz Fernando. Este ano, a filha, Ana Paula, deve juntar-se à equipe. Foi da junção das iniciais dos nomes de seus rebentos que ele extraiu a marca do grupo: Paluana. A paixão pelos ônibus incentivou a criação dos negócios. Mas há uma lógica empresarial por trás deles. A atuação em torno de uma mesma atividade reduz os custos e garante escala e sinergia às operações de cada empresa. O embrião de tudo foi a corretora, que surgiu inicialmente com foco em seguro de ônibus. Mais especificamente os da Expresso de Prata, empresa em que Miguel foi trabalhar quando se formou em direito. Sete anos depois, ela se abriu para o mercado e atualmente cresce cerca de 20% ao ano, com portfólio de 400 clientes.

Em 2000, Miguel comprou quatro ônibus da Expresso de Prata para trabalhar com frete escolar. Em troca de um preço mais justo, manteve a pintura prateada original e continuou como advogado da empresa. Ainda hoje, as cores da transportadora Paluana seguem o mesmo padrão e cada ônibus custou cerca de R$ 90 mil. Só para ter uma idéia, um veículo novo sai em torno de R$ 500 mil. No início era ele e Pedro, o funcionário que ao mesmo tempo fazia as vezes de gerente, motorista e mecânico. Por causa disso, Miguel já se viu em situações inusitadas. “Um dia, o Pedro esqueceu de pegar as crianças de uma escola na Penha.

Às pressas, eu o substituí, mas estava de terno e, quando desci do ônibus, a diretora da escola ficou impressionada com o serviço do fretamento porque o ‘motorista’ estava com abotoaduras de ouro.” Passadas as aventuras iniciais, hoje a empresa conta com 35 carros rodando nas ruas da capital paulista. A meta é chegar a 38 até dezembro. A ordem é fazer um fretamento diferenciado. Antes de receber os passageiros, o motorista do ônibus estende um tapete vermelho no chão. “O nosso serviço é sempre vip”, afirma Miguel. Seguindo este padrão, o grupo fechou um acordo para atender hotéis que ficam nos arredores do Aeroporto de Cumbica. São 12 ônibus adesivados com as identidades visuais de cada um dos oito hotéis, como Caesar Park e Meliá. Para atender a demanda de hóspedes que queriam contratar veículos de passeio, a locadora foi criada em 2001. Hoje conta com 45 veículos. O outro negócio da família, a reguladora, ainda é incipiente. Tem como missão intermediar, de forma mais suave, o processo burocrático para que o hospital angarie recursos do DPVAT em caso de atendimento a vítimas de acidentes de ônibus. É uma área em que o grupo está investindo. A família garante que está de olho também em novas oportunidades. “De transporte viário de passageiros nós entendemos”, finaliza o patriarca.