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A força do DNA de Ozires
Aos 75 anos, o criador da Embraer se transformou no profeta do mundo jovem da inovação. Sua mais nova investida é uma lista telefônica digital

ROBERTA NAMOUR

"A descoberta de uma tecnologia pode não valer nada, se você não souber vendê-la"
OZIRES SILVA

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“O mundo de hoje é o mundo da inovação”, diz Ozires Silva. “E é na busca por ela que eu dedico a minha vida.” Aos 75 anos de idade, o fundador da Embraer, ex-ministro da Infra-Estrutura e ex-presidente da Petrobras continua incansável na arte de descobrir. O broche de um avião que carrega na lapela do terno aponta o orgulho da experiência acumulada no passado, enquanto o leque de projetos que tem em mãos mostra o que ainda espera realizar. Sua recente trajetória é a exceção na teoria de que invenções tecnológicas sejam fruto do arrojo e talento de jovens empreendedores. E avisa: “A descoberta de uma tecnologia pode não valer nada, se você não souber vendê-la”. É aqui que sua experiência faz a diferença. A ocupação atual de Ozires é viabilizar “boas idéias”, como ele mesmo diz. De um lado, identifica projetos inovadores, sempre com forte componente tecnológico. De outro, reúne investidores, cujos nomes não revela, dispostos a bancar a iniciativa. A seguir, comanda a estruturação do negócio até que de os primeiros passos. A partir daí, assume a presidência do conselho, monitorando seu desenvolvimento.

Dessa forma, Ozires já colocou em funcionamento três diferentes projetos. Sua mais recente tacada é o Age- Cel, projeto de compressão de dados que viabiliza a digitalização de uma lista telefônica de 80 mil nomes no celular. Por um preço simbólico, o usuário pode solicitar o catálogo telefônico digital da cidade em que estiver com uma ligação. Com um investimento de R$ 12 milhões, a comercialização do aplicativo é feita por meio de franquias nos Estados, que valem de R$ 50 mil a R$ 6,7 milhões. Por enquanto, apenas Rio Grande do Norte, Maranhão, Santa Catarina e Ceará estão cadastrados.

“Em breve, o Brasil todo fará parte do sistema. E quem sabe até lá já teremos a lista de números de celular”, sugere. Além disso, desde 2003, ele integra a equipe da Pele Nova, que atua no desenvolvimento da biomembrana, tecnologia que acelera a cicatrização da pele através do princípio ativo do látex. “O próximo passo é a exportação.” O veterano também ocupa a presidência do conselho de diversas empresas, entre elas a Sundown Motos, e participa como conselheiro de associações e de representações públicas. Nas horas vagas, se dedica à realização de um projeto ambicioso na educação, o Escola Inteligente. “Desde 1740 convivemos com o tradicional modelo de educação no qual os professores passam os ensinamentos pelo quadro-negro. Está mais do que na hora de mudar”, diz. Em parceria com o Instituto Galileu Galilei, Ozires quer criar uma escola interativa com novas tecnologias de aprendizado. “O mundo de hoje exige um cidadão global e ele tem de ser formado nessa direção”, explica.

Engenheiro formado pelo ITA e oficial da Aeronáutica, responsável pelo processo de privatização da Embraer, Ozires leva para esses negócios os ensinamentos acumulados ao longo da carreira. Sua fonte de inspiração? O ditado favorito de seu amigo, o comandante Rolim Amaro, fundador da TAM, morto em 2001: “É melhor almoçar o concorrente do que ser jantado por ele”. Por isso, Ozires tem pressa. Quando menino, não entendia por que o Brasil não tinha seu próprio avião. Agora, questiona o fato de o País ainda não ter se lançado na construção de um automóvel elétrico. Depois de algumas tentativas frustradas – não conseguiu investidores para apoiar a causa –, Ozires tenta convencer a fabricante Sundown a criar uma moto elétrica. “Mais cedo do que se imagina alguém vai industrializar essa idéia”, constata. “Eu gostaria muito que o Brasil assumisse a liderança.”