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O surfista da moda
Sem abandonar os esportes e as viagens, o campeão de caça submarina Ricardo Ferreira construiu uma das mais badaladas grifes masculinas

MÁRCIA VAISMAN

FOTO: LUCIANA WHITAKER/AG. ISTOÉ
"Não entendo de moda, mas quis projetar o meu estilo de vida nas roupas da marca"
RICARDO FERREIRA, DA RICHARDS
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Todos os dias de manhã, Ricardo Ferreira acorda olhando para o mar do Rio de Janeiro. Aos 63 anos - e aparência de 45 -, Ferreira tem no currículo a conquista do primeiro lugar do campeonato de caça submarina, em 1975, mergulhos com o compositor Roberto Menescal e encontros com a galera da bossa nova. Parece coisa de um bon vivant. Pode ser, mas, com esse estilo, Ferreira montou um pequeno império no mundo da moda. E um império à sua imagem e semelhança: em 33 anos de existência, a Richards tornou-se sinônimo de moda masculina casual, com suas roupas leves, claras e elegantemente despojadas, para um público que parece sempre viver à beira-mar. Hoje, a grife tem 70 lojas em 37 cidades brasileiras e em Portugal. Com faturamento de R$ 160 milhões em 2007, crescimento de 20% em relação ao ano anterior, a Richards pretende atingir a cifra dos R$ 200 milhões no fim de 2008. Para isso, planeja expandir a linha feminina, que hoje está estabelecida em apenas 15 lojas. Há ainda estudos para firmar parcerias com outras marcas, criar linha de roupas infantis e outra de objetos para casa, além de reforçar a presença no Exterior. Para isso, a Richards conta com a experiência da Salinas, grife carioca de moda praia, com 25 anos de mercado, 24 lojas e exportação para 39 países, da qual adquiriu 50% do capital em 2007.

A primeira empreitada de Ferreira na moda foi um pouco diferente. Adolescente, ele produzia cintos artesanais para vender em lojas de Ipanema. A mesada andava curta e ele queria usufruir os seus hobbies preferidos: praia, surfe e caça submarina. Aos 22 anos, surge o embrião da Richards, com a inauguração da loja de moda masculina Krishna. Minúscula, aconchegante e repleta de camisetas. "Queríamos desestruturar o conceito formal de receber o cliente atrás do balcão. Por isso, colocamos várias almofadas e transformamos a loja em um ambiente intimista", lembra Ferreira.

RICARDO E OS SÓCIOS, FRED, GUTO E CARLOS ANDRÉ: funções diferentes na empresa e objetivos em comum

O jeito peculiar de atender o público foi levado para a Richards, que surgiu em 1974. "Não entendo de moda, mas quis projetar o meu estilo de vida nas roupas da marca." E não foi só no corte das roupas. A filosofia estende-se para a gestão. Hoje, Ricardo conta com a atuação indispensável de seus quatro sócios: Frederico Luz, Carlos André De Laurentis, Carlos Augusto Villas-Boas e Glória Marques. Cada um responsável por um setor. Todos têm um hobby diferente e, em comum, o prazer de desfrutar a vida. Por isso, nada de ficar no escritório 12 horas por dia ou tirar férias somente uma vez por ano. De tempos em tempos, eles deixam o escritório e saem em viagens por várias partes do mundo. Quando um dos sócios embarca, os outros ficam. Hoje, com o advento da tecnologia, decisões podem ser tomadas por telefone ou pela internet. "Essa história começou em 1982 quando comprei um veleiro e comecei a percorrer o mundo", conta Ferreira. Mediterrâneo, África, Caribe, América Central, Nova Zelândia e o litoral brasileiro já entraram no roteiro. Na bagagem, três companheiros obrigatórios: uma bicicleta dobrável, uma mochila e um par de tênis. Muitas dessas aventuras estão registradas no site da própria grife. "Acreditamos que hoje o estilo Richards virou muito mais do que simples peças de roupas. Quem compra Richards adquire a filosofia, o sonho. E é com este preceito que queremos expandir para outros países", finaliza Ferreira.