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O NEGÓCIO DA MODA
Um desfile de negócios
A chegada dos fundos de investimento ao setor de moda provoca uma revolução num dos mais dinâmicos mercados do País

Por Márcia Vaisman

WELLIGTON CERQUEIRA/AG. ISTOÉ
Fause Haten, DA I’M: com a compra pela I’M, vai fincar sua bandeira no Exterior. No curto prazo, abre mais duas lojas em shopping centers do Brasil

Enfim, é um mercado em ebulição – há gente querendo comprar e há gente disposta a vender. O que pode atrapalhar é a pouca profissionalização dessas grifes. “O mercado ainda é muito heterodoxo e há sonegação de impostos”, diz Glauco Abdalla, sócio da Galeazzi Associados, consultoria na área de gestão. “Mas, aos poucos, com a profissionalização, as empresas entenderão que a transparência é o primeiro passo para abrir seu capital, o que no fundo é o objetivo de todos os fundos de investimento.” De olho nessa agitação, a Galeazzi pretende até intermediar alguns negócios no setor e, depois, oferecer seus serviços de consultoria. “Estamos vislumbrando algumas possibilidades, mas ainda não podemos falar sobre elas”, diz Abdalla.

A abertura de capital foi o caminho escolhido pela Marisol para financiar a montagem de um dos maiores guardachuvas de marcas do País. Com ações em bolsa e gestão profissional há mais de 20 anos, a empresa adquiriu a Rosa Chá, em 2006. Seu foco? O mercado internacional, sempre disposto a consumir a chamada moda praia brasileira. Para isso, aproveitou uma das maiores vantagens de uma gestora de marcas, a sinergia. “Nossa linha infantil, composta por Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre, começou a dar passos internacionais, e percebemos que outras marcas poderiam aproveitar essa estrutura. Por isso, adquirimos a Rosa Chá”, explica o diretor de marketing da Marisol, Giuliano Donini. A empresa foi uma das pioneiras na adoção do conceito de gestão de marcas. O caso da Pakalolo é exemplar do que uma empresa especializada em moda pode fazer. A marca teve seu momento de glória entre os adolescentes na década de 80. Depois caiu no esquecimento. Adquirida pela Marisol em 2005 com números inexpressivos, ela faturou, em 2007, R$ 40 milhões. A perspectiva de crescimento encontra-se na casa dos 20%.

MARCO PINTO/AG. ISTOÉ
Alexandre Herchcovitch, DA I’M: além de vender suas duas grifes para a I’M, ele se tornou o curador das marcas do fundo de investimento

Há alguns mandamentos que devem ser respeitados para garantir o bom desempenho de uma gestora de marcas. Um deles é não atirar para todos os lados. Por exemplo, manter, sob o mesmo teto, marcas de apelo popular e grifes requintadas. Outro mandamento é otimizar os recursos. “Temos a preocupação de preservar a identidade de cada marca e usar a mesma estrutura logística e organizacional, o que reduz custos”, diz Alexandre Brett, presidente do grupo BR Labels, que abriga as marcas VRMenswear, Mandi, Calvin Klein e Calvin Klein Jeans. Vamos aos resultados dessa filosofia. A Mandi ampliou de três para nove o número de lojas. O faturamento apresentou crescimento de 80%. E a CK, em dois anos, abriu 20 lojas exclusivas em sete Estados, além de estar exposta em outros 400 pontos-de-venda.

Em meio a tantos gigantes do mercado financeiro, há espaço para grupos menores, como o P&S, com origem em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Fundado pelo pai, Antonino, o filho Rariton Pasquini e Hector Santos, em 1993, o grupo acaba de contratar a ex-estilista da Colcci Lila Colzani para lançar sua nova marca, a Stereo, voltada para um público ligado em moda. Até 2012, a marca quer estar presente em 300 pontos-de-venda. O P&S já é dono da Act, Vicinal e Zil. Responsáveis por uma produção anual de 1,2 milhão de peças, os empresários pretendem, até 2012, confeccionar três milhões de peças por ano e abastecer 3,3 mil lojas, contra as atuais 1,8 mil. “Queremos também gerir oito marcas Capa no futuro”, diz Hector Santos.

 


A economia na PASSARELA
Enquanto Raquel Zimmermann, nova top model número 1 do mundo, causava alvoroço ao desfilar na São Paulo Fashion Week, a poucos metros da passarela, um grupo bem mais compenetrado e longe de ter as medidas perfeitas discutia o futuro da moda. No lugar de pantalonas, cinturas altas e franjas (tendências da próxima estação), o que predominava era terno, gravata e muitos dados para provar que investir no setor vale a pena. Este foi o objetivo da segunda série de encontros "Economia Criativa", realizada pelo IN-MOD e pela SPFW, durante toda a semana. Na eclética roda de discussões, executivos como Vicente Mello, presidente da I’M, Michiel Kerbert, do Banco Real, Eduardo Rabinovich, presidente da ER Gestão de Marcas, Ruth Cardoso, Cledorvino Belini, presidente da Fiat, e Eduardo Rath Fingerl, diretor do BNDES, trocaram experiências e idéias que podem ajudar a mensurar o potencial desse mercado ainda em desenvolvimento no Brasil.

"Os encontros nos ajudam a olhar além do que estamos vendo no momento", afirma Altair Assumpção (foto), superintendente do Banco Real. "Para uma instituição financeira, por exemplo, é difícil avaliar algo tão intangível quanto a criatividade de um estilista", completa, citando Bill Gates no início de carreira. Segundo ele, as discussões trazem bases sólidas até mesmo para traduzir em números um novo criador ou marca. Só assim, com a linguagem equalizada, será possível pensar em novos investimentos no uniFause Haten, verso fashion.

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