Ele está chegando A Apple, de Steve Jobs, inicia sua maior ofensiva no
mercado brasileiro e prepara até a abertura de lojas
próprias
Por Adriana Mattos
Desta vez, tudo indica, é para valer. Após anos no mais completo desprezo ao mercado nacional, Steve Jobs prepara uma ofensiva no Brasil. Existe um plano em andamento dentro da Apple para expandir a atuação da marca por aqui. Os primeiros (e concretos) sinais surgiram na semana passada, mas há outras informações que indicam a existência de um novo desenho estratégico da mais cultuada marca de tecnologia para o País. Na noite da quinta-feira 22, foi lançada a primeira “store in store” da companhia no Brasil – com 40 metros quadrados, está localizada dentro da loja da rede Extra, no bairro nobre do Itaim, em São Paulo. Serão criados mais 15 espaços como esse, batizados de Ilha Apple, em unidades da cadeia do grupo Pão de Açúcar.
Mas não pára por aí. Há potencial para novas “ilhas” em até uma centena de lojas da cadeia Extra. Mais: DINHEIRO apurou que o grupo norte-americano pretende replicar esse modelo para, pelo menos, mais uma grande rede de varejo nacional ainda no ano que vem. Além disso, também está em discussão a possibilidade de abertura de uma Apple Store na capital paulista em 2008. O contrato com a empresa de Abílio Diniz não garante a exclusividade. Também há fortes rumores de que a empresa e o grupo La Fonte, do empresário Carlos Jereissati, negociam a abertura de uma loja em um dos shoppings do grupo. DINHEIRO confirmou que as conversas teriam avançado para a inauguração do ponto no Shopping Iguatemi, templo de luxo na capital paulista. Essa possibilidade, segundo fontes próximas à Apple, aumentaria as chances de uma rápida e inédita visita de Steve Jobs ao Brasil para cortar a fita inaugural da loja.
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O PRIMEIRO PASSO
Maçã no carrinho
Espaço exclusivo da Apple dentro de loja do Extra: serão 100 em alguns anos, segundo o plano de Szapiro (abaixo) |
A Apple Store deve seguir os mesmos padrões das megalojas da companhia pelo mundo, nas quais os consumidores têm liberdade para mexer e experimentar livremente as mercadorias, espalhadas em amplos balcões. Em cada decisão dessas, há o dedo e o aval do homem, Steve Jobs, e acontecem em sintonia direta com Miami, onde fica o centro de distribuição para a América Latina. Tanto que, para o acordo entre grupo Pão de Açúcar e Apple acontecer, houve participação do gerente-geral para a América Latina, Carlos DeVries, na negociação. DeVries e Alexandre Szapiro, gerente-geral da empresa no Brasil, tiveram a tarefa de apresentar para Jobs o projeto com a rede Extra, e o estudo de viabilidade da Apple Store em São Paulo. Jobs dá sinal verde ou vermelho a tudo. Centralizador, o presidente mundial não gosta que nada lhe escape das mãos. Não fala e não permite que ninguém lá dentro fale em ações estratégicas futuras. Isso inclui novos acordos com varejistas e a abertura da aguardada Apple Store. “Não posso dizer nada ou amanhã ainda recebo minha carta de demissão”, brincou Alexandre Szapiro, durante inauguração do espaço da marca no Extra. Sigilos à parte, é fato que essa conversa entre grupo Pão de Açúcar e Apple aconteceu por duas razões. Foi o Pão de Açúcar que procurou a companhia com o projeto das 100 ilhas Apple, para a venda de produtos em até 24 parcelas.
Uma semana antes de Szapiro se tornar o homem do grupo no Brasil, em agosto passado, ele recebeu um telefonema de um executivo do Pão de Açúcar já com a proposta. Szapiro adorou e pediu que ele esperasse alguns dias, até sentar na cadeira. Após isso, houve um encontro casual entre os executivos da varejista com Szapiro e DeVries, numa loja da Apple em Miami. Ali surgiu a idéia, abraçada pelos dois grupos..
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