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É o fim da blockbuster?
Depois que caiu nas mãos da Lojas Americanas, a marca praticamente sumiu. Qual a lógica dessa decisão?

DANIEL LEB SASAKI

NOVA ROUPAGEM: antiga loja da Blockbuster, hoje Americanas Express (ao lado). Da fachada original, restam apenas os nomes de artistas nas vagas do estacionamento. Abaixo, loja intacta.

Não é efeito da lei "Cidade Limpa", baixada pelo prefeito Gilberto Kassab para acabar com a poluição visual em São Paulo. A ausência de letreiros e luminosos nas antigas lojas da Blockbuster tem outro responsável: a Lojas Americanas, que comprou as operações da rede no Brasil em janeiro deste ano. Desde então, a empresa vem sistematicamente relegando o espaço da outrora rainha do aluguel de filmes a alguns cantos e um punhado de prateleiras de suas lojas.

Indícios da Blockbuster aparecem apenas em pequenas placas removíveis. Que isso ia acontecer, muitos sabiam. Na ocasião da compra, imprensa e especialistas ventilavam que o real interesse do grupo eram os 127 pontos de venda da Blockbuster, localizados em locais estratégicos, valorizados e próximos ao público consumidor - que se somariam às 237 lojas já existentes da Americanas. "A estratégia da companhia não é ficar no segmento de vídeo. O que ela sabe fazer é vender produtos no varejo. Aos poucos, transformará todas as lojas da Blockbuster em Americanas Express", afirma Diana Litewski, analista da Ativa Corretora. Até mesmo representantes da Americanas falavam abertamente que o plano do grupo era adaptar 90% das unidades da Blockbuster até o fim do ano. "Cerca de 70% das lojas da Blockbuster possuem 400 metros quadrados, quase o mesmo tamanho das Americanas Express.

WELLINGTON CERQUEIRA/AG. ISTOÉPretendemos otimizar a área de aluguel de filmes em 80 ou 100 metros quadrados e ampliar a oferta de produtos, oferecendo sortimento semelhante ao das unidades Express", anunciava Roberto Martins, diretor de relações com investidores da empresa, durante a apresentação do balanço financeiro do primeiro trimestre. Investimento previsto: R$ 50 milhões em 2007.

Uma grande dúvida que fica é: com a retração acontecendo a passos largos, qual será o futuro da bandeira Blockbuster no Brasil? Outra: se era para ficar apenas com os pontos, por que comprar a marca, cujo valor, é claro, foi incluído no preço de R$ 186,2 milhões do negócio? Apesar de forte, o nome Blockbuster precisa de exposição mais do que nunca, já que atua em um segmento em declínio no mundo todo.

Nos EUA, por exemplo, o negócio de locação de filmes nos moldes tradicionais, com lojas físicas, praticamente não existe mais, sobretudo por causa da concorrência com TV a cabo, internet e outras formas de distribuição. Lá, a Blockbuster fechou 290 lojas em 2006 e pretende fechar outras 282 este ano.

Concentrou suas atividades no Total Access, seu programa de aluguel e vendas online. "No Brasil, a própria Blockbuster buscava outras fontes de receita, através da comercialização de produtos eletrônicos, games, brinquedos, bebidas e alimentos", lembra Kenzo Otsuka, consultor da Trevisan. Fonte próxima à empresa contou à DINHEIRO que a Americanas pretende aproveitar a marca em um novo modelo de negócios. "O site da Blockbuster também foi comprado. Eles já fizeram estudos e acham viável alugar filmes pela internet, com entrega pelo correio. O cliente assistiria e depois devolveria em qualquer loja da Americanas Express. Estão só definindo esse modelo", revela. Isso uniria o útil ao agradável: a empresa- mãe destinaria as lojas físicas ao varejo e, a custos bem menores, revitalizaria a operação da Blockbuster. Procurada pela reportagem, a Americanas não se pronunciou.