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O ano do mercado de capitais
O Brasil abraçou de vez o capitalismo. As empresas chegam com sucesso às bolsas de valores com ganho recorde



A ECONOMIA brasileira vive hoje um momento especial. Todos os sinais indicam que o País finalmente ingressou num novo ciclo de crescimento sustentado, ancorado nas exportações e também no dinamismo do mercado interno. O retrato deste novo Brasil está presente na edição de 2007 do anuário AS MELHORES DA DINHEIRO, o mais abrangente ranking empresarial do País, elaborado com informações fornecidas pelas próprias empresas. A grande novidade, no levantamento deste ano, diz respeito ao mercado de capitais. Em função disso, um dos tópicos agregados ao trabalho foi a questão da boa governança corporativa - item fundamental para que uma empresa possa ter suas ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa. "Esta é a grande mudança da pesquisa e também a maior transformação em curso na economia brasileira", afirma Antoninho Marmo Trevisan, que comanda o Grupo Trevisan, responsável pela compilação dos dados fornecidos pelas empresas. "O que antes era visto como um custo pelas empresas se transformou em mais-valia", completa Trevisan. Isso significa que as políticas de governança corporativa vêm sendo cada vez mais premiadas pelos investidores, tanto daqui como de fora. Portanto, há um incentivo para que as companhias brasileiras, além de lucrativas e eficientes, sejam transparentes em suas demonstrações financeiras e também responsáveis socialmente.


Só neste ano, já foram realizadas mais de 70 ofertas de ações na Bovespa, que movimentaram cerca de R$ 40 bilhões. Esse apetite por empresas brasileiras está diretamente ligado aos resultados das companhias, que foram captados na pesquisa deste ano com dados referentes a 2006. O faturamento das 500 maiores empresas brasileiras presentes no ranking de AS MELHORES DA DINHEIRO foi de R$ 1,16 trilhão em 2005. No ano passado, o número bateu em R$ 1,3 trilhão - isso significa que essas companhias ampliaram suas vendas em R$ 140 bilhões num período de apenas 12 meses. Da mesma forma, os lucros também têm crescido de forma significativa. Um levantamento da empresa Economática, que compila as informações de 299 companhias de capital aberto presentes no ranking de AS MELHORS DA DINHEIRO, demonstra a evolução dos resultados. Em 2005, os lucros, neste universo, alcançaram R$ 91 bilhões. No ano passado, chegaram a R$ 98 bilhões. Agora, em 2007, as informações dos últimos 12 meses até setembro já apontam ganhos de R$ 110 bilhões.

FERNANDO EXEL: "A expansão dos lucros das empresas explica os preços das ações"
TONINHO TREVISAN: "Os empresários adotaram de vez as boas práticas de governança"

Esses dados são importantes não só para as empresas como também para todos aqueles que investem no mercado de capitais. Isso porque ajudam a avaliar se os preços das ações estão altos ou não. "Do fim de 2002 até agora, o Índice Bovespa se valorizou 460%, o que significa que R$ 1 mil viraram R$ 5,6 mil", avalia Fernando Exel, presidente da Economática. "Mas as ações subiram porque os lucros também aumentaram muito", completa. Segundo ele, a relação preço/lucro das empresas brasileiras, o chamado PL, manteve-se entre dez e 12 nos últimos anos. Agora, com os novos recordes da Bovespa em 2007, ela chegou a 15. Com isso, tanto Trevisan quanto Exel concordam num ponto: a economia nacional já começa a se comportar no mesmo padrão dos países que atingiram o nível investment grade, o que explica os grandes resultados apontados em AS MELHORES DA DINHEIRO.