Fox on-line Conhecida nas telas de tv, a rede americana lança no brasil uma unidade para vender publicidade na internet. é uma aposta arriscada?
JOÃO PRADO
 |
HOHAGEN E LEME: o objetivo da Fox é alavancar os investimentos online no País
GUSTAVO LEME, vice-presidente da Fox no Brasil |
Quando alguma pessoa fala o nome Fox, qual é a primeira coisa que vem em sua cabeça? Provavelmente, a resposta será os canais e programas de televisão pertencentes ao grupo News Corporation, do magnata australiano Rupert Murdoch. Mas, no Brasil, a companhia, dona dos direitos de campeões de audiência como Os Simpsons e 24 horas, vai discretamente estendendo seus domínios para outras searas. A empresa acaba de lançar uma unidade de negócios voltada para publicidade na internet, batizada de .Fox (pronuncia-se “ponto Fox”), uma espécie de agência de publicidade para atuar no mundo virtual. Com ela, pretende atender toda a América Latina. Para o grupo, o Brasil é considerado o principal mercado da região. O que motivou a rede americana de canais a apostar na publicidade online por aqui é o crescimento meteórico do mercado. Segundo dados do Interactive Advertising Bureau (IAB), empresa de análise em mídia interativa, somente no primeiro semestre deste ano as receitas com publicidade na web movimentaram R$ 221 milhões, aumento de 40,16% em relação ao mesmo período de 2006. “Dentro do universo da internet, esse é o principal negócio a ser explorado”, conta Gustavo Leme, vice-presidente da Fox Brasil.
Para isso, a .Fox foi às compras. Há cerca de um mês, a empresa anunciou a aquisição da Directa Network, a maior rede de vendas de publicidade na internet para os mercados das línguas portuguesa e espanhola. As duas operações foram fundidas e assim nasceu a DirectaClick. Fox. A nova empresa já nasceu com 40 milhões de usuários únicos e mais de sete bilhões de acessos por mês na América Latina. “Nosso objetivo no Brasil é alavancar os investimentos em publicidade na internet. Vamos explorar tanto os espaços de banners (links de propaganda em um site) como também de buscadores de palavras na web”, conta Bernardo Hohagen, diretor de serviços online da Fox Brasil. A .Fox pretende explorar o marketing online de três maneiras diferentes. A primeira é aumentar a presença de seus clientes dentro de sites buscadores (Google, Yahoo e outros). A segunda é ganhar mais espaços através de sites afiliados. E a terceira é expandir a publicidade virtual usando o próprio nome da companhia. “Vamos criar uma lista de palavras relativas aos negócios de nossos clientes e fazer com que os nossos anúncios em sites como o Google apareçam em um maior número de páginas listadas pelo site”, explica Leme.
“Dentro do universo da internet, a publicidade é com certeza o principal mercado a ser explorado”
Outra novidade que a companhia acaba de lançar é o MyFox, cujo foco é gerar peças de publicidade pelo celular. Ainda embrionário, o projeto deve ganhar mais força no próximo ano. “Sabemos que se trata de um mercado com um potencial enorme”, afirma Hohagen. A investida da Fox na rede pode apresentar certos obstáculos. Segundo especialistas, o modelo de um grupo de mídia vendendo anúncios para outras empresas do mesmo setor não é bem aceito no Brasil. “A Fox pode sofrer boicotes das agências de publicidade por tentar vender anúncios para os concorrentes”, avalia Daniel Domeneghetti, sócio-diretor da E-Consulting, empresa de análise em publicidade online. Mas Domeneghetti acredita que a Fox está um passo à frente de outras companhias de mídia. “Na Europa e em outros mercados esse modelo já está presente. Aqui no Brasil será questão de tempo”, diz. |