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"Faltam até engenheiro e caminhão na construção"
O presidente da Jones Lang LaSalle, uma das maiores consultorias imobiliárias do mundo, afirma que há carência de pessoal e equipamentos para as obras por conta do aquecimento no setor

DINHEIRO – O que o mercado pode esperar com essa onda de consolidação?
MACEIRA – Muitos proprietários venderão seus ativos para investidores e, depois, alugarão os mesmos imóveis. Por quê? Porque administrar imóveis não é o foco de sua operação. Por exemplo: uma rede com 100 lojas que se expandiu no passado por meio de aquisições de imóveis. Essa empresa começa a operar em mercados mais estáveis, com crédito e juro em queda, e com a entrada cada vez maior de investidores que buscam esse segmento de terrenos para investir. Então esse investidor, muitas vezes um fundo de pensão, vai e compra todos os pontos e aluga de volta para a rede. Ele precisa pagar uma rentabilidade de 6% ao seu pensionista e, então, aluga para ter uma taxa de 8%. O custo de capital próprio da rede é maior que 8%. Muitas empresas vão ficar menos “imobilizadas” para investir na sua atividade principal. Além disso, o Brasil virou foco de interesse para todo o mundo. O que não falta é investidor batendo na minha porta, tentando entender nosso segmento.

DINHEIRO – No caso dos shopping centers, ainda estamos atrasados? MACEIRA – Eu acredito que estamos indo pelo caminho correto. No mercado corporativo já temos uma evolução com a entrada de investimentos de profissionais. Os segmentos de shopping centers e residências para venda estão mais maduros. Nessas áreas, há um maior número de empresas abertas explorando o setor, e com capital para investimento de acionistas. Isso faz a diferença. A questão aqui é que, se consegue se financiar, você usa o dinheiro para outros investimentos. Logo, acaba sendo positivo se alavancar mais. Porém, hoje, ainda é muito complicado a alta alavancagem no Brasil. O mundo todo opera alavancado, menos nós. Isso porque todo mundo se financia para melhorar o retorno em cima do principal.

No Brasil, ainda se opera com capital próprio porque é caro captar recursos.

DINHEIRO – Há um desequilíbrio na oferta de produtos para classes de maior e menor renda? Há muita oferta de apartamentos por R$ 300 mil a R$ 400 mil. Há mercado para isso? O déficit de moradias não é nas classes C e D?
MACEIRA – É verdade que temos um maior déficit de habitações na baixa renda. Mas eu, honestamente, acho que em São Paulo existe muita gente trocando o antigo apartamento por um novo imóvel nesses valores mais altos. Com o alongamento no prazo, o consumidor consegue arcar com essa despesa e mudar de casa. Com o aumento nos prazos para pagamento, sobra uma renda disponível que antes não existia. E, também para quem é locatário, vai chegar um momento em que vai ficar mais barato pagar uma parcela de financiamento do que arcar com o aluguel do mês. Já estamos caminhando para isso.

Vai chegar um momento em que existirão muitas ofertas com parcelas mensais de R$ 200, R$ 300. Aí teremos um mercado realmente competitivo. Então, nós chegaremos num novo patamar. O comprador terá a opção de escolher o que quer: pagar aluguel e aplicar os recursos da compra de um imóvel no mercado financeiro ou jogar tudo na compra de uma casa. Todo mundo deveria pagar aluguel porque quer. E não porque é obrigado. Tem de ser uma escolha entre duas opções possíveis.

DINHEIRO – Não é o que se nota pelos anúncios na mídia...
MACEIRA – Nem sempre aquele que oferta o apartamento popular está na mídia. Existe sim uma grande onda de investimento em baixa renda e grandes incorporadoras montaram suas empresas para atender essa camada da população.

“Brevemente, teremos imóveis com parcelas mensais de R$ 200 a R$ 300”

DINHEIRO – O que pode prejudicar esse cenário favorável?
MACEIRA – Está tendo uma corrida do mercado à mão-de-obra especializada. Não há gente o bastante para atender ao tamanho da demanda por especialistas na área.

A USP e a FGV possuem cursos de graduação na área, mas ainda são poucas as escolas disponíveis. Ou seja, o mercado de formação de pessoal é pequeno. E o exército de mão-de-obra já formada também não é dos maiores. Se hoje é preciso contratar alguém de um determinado nível de conhecimento, reduzem-se as exigências, ou corre-se o risco de não preencher a vaga.

Mas não se trata só disso. O problema é maior. No mercado, existe a falta tanto de caminhão betoneira quanto de engenheiro de obras. Há um trabalho de retenção das pessoas até aqui dentro da nossa empresa. Parece chavão, mas não é.

DINHEIRO – A Jones Lang LaSalle fecha o ano com crescimento? Que segmento tem puxado a expansão da empresa?
MACEIRA – A meta global do grupo é dobrar o faturamento dentro de três anos no mundo. No Brasil, estamos trabalhando a todo vapor. Tenho ficado 10, 12 horas no escritório todos os dias. Só ontem, fechamos quatro projetos novos para empresas na área de gestão de facilities [trata da manutenção, limpeza, entre outros aspectos do edifício]. A área de gerenciamento de terrenos conta atualmente com 50 contratos, perfazendo um total de mais de três milhões de metros quadrados, entre edifícios comerciais, edifícios corporativos e shopping centers. Cuidamos de prédios como o da Daslu, o World Trade Center, o empreendimento Rio Negro, em Alphaville, e o principal prédio do Deutsche Bank em São Paulo

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