As próximas estrelas do Mercado Depois do susto americano, os dólares voltam com força total, levam a Bovespa ao recorde de 60 mil pontos e deflagram uma corrida empresarial por aberturas de capital que pode trazer US$ 10 bi ao País ainda em 2007
Por Leonardo Attuch e Milton Gamez
Um poderoso fator de estímulo para que os investidores estrangeiros continuem investindo em ações brasileiras – eles compraram mais de 70% dos IPOs nos últimos quatro anos – é a promoção do Brasil ao nível de investimento pelas agências de risco. Nas escalas das poderosas Standard & Poors, Moody’s e Fitch Ratings, o Brasil está a um degrau do investment grade, o que colocaria o País como porto seguro. Faltam menos de US$ 20 bilhões para as reservas internacionais igualarem-se à divida externa bruta, o que eliminaria, na prática, o risco de calote pelo País. Quando isso acontecer, os gigantescos fundos de pensão americanos terão permissão para comprar ações no Brasil. Parte desse movimento já se reflete nas bolsas. “A elevação do Brasil a investment grade já está no preço”, diz o economista Paulo Leme, da Goldman Sachs. Para ele, a promoção será em questão de meses (leia entrevista à página 18). O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é mais cauteloso e prevê que isso ocorra em até dois anos. Seja como for, a exuberância voltou com toda a força – o suficiente para que as empresas voltem a sonhar em fazer parte da constelação da bolsa.
VALE A PENA SER SÓCIO DAS BOLSAS?
Tanto a Bovespa como a BM&F irão vender suas ações
Até agora, a Bovespa funcionou como um clube formado por corretoras de valores que negociam nos pregões os papéis das empresas listadas. Este ano, seu volume de negociações alcançou R$ 796 bilhões. A BM&F é a quinta maior bolsa de commodities e mercados futuros do mundo. Em apenas um dia, seus contratos giram mais de R$ 132 bilhões. À primeira vista, são duas empresas saudáveis e lucrativas, e em breve você poderá ser sócio delas. Mas será que vale a pena?
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| MAGLIANO: ele pode captar até R$ 3,5 bi em 2007 |
Mais de 20 bolsas de valores e commodities já abriram o capital nos últimos anos, a maior parte com bons retornos para os investidores (leia o estudo Demutualization and Corporate Governance of Stock Exchanges, de Reena Aggarwal, da Georgetown University, em http://faculty.msb.edu/aggarwal/). O Brasil chegou atrasado, mas em boa hora. O economista Otto Nogami, do Ibmec- São Paulo, acredita que pode ser uma boa oportunidade. “As bolsas são empresas que dão lucro e, ao abrirem capital, ganham maior transparência perante o investidor”, explica. A BM&F está avaliada em R$ 10 bilhões, sendo que 10% de suas cotas acabam de ser compradas pela General Atlantic LLC por R$ 1 bilhão. Porém, alguns sócios descontentes protestam contra a divisão do bolo (leia reportagem à página 76). Já o valor da Bovespa, presidida por Raymundo Magliano Filho, está estimado entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. Mas lembre- se: como as demais empresas, elas serão investimentos de risco.
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