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As próximas estrelas do Mercado
Depois do susto americano, os dólares voltam com força total, levam a Bovespa ao recorde de 60 mil pontos e deflagram uma corrida empresarial por aberturas de capital que pode trazer US$ 10 bi ao País ainda em 2007

Por Leonardo Attuch e Milton Gamez

Assim como o petróleo, o agronegócio é um dos setores em ascensão no mercado de capitais. Entre os casos já registrados na Comissão de Valores Mobiliários, constam empresas como Louis Dreyfus Agroenergia, que atua no setor do etanol, a trading Agrenco e o fundo Laep, que controla a Parmalat e pretende financiar um programa de integração da cadeia do leite. Outras companhias também estão chegando. Uma delas é a Usina Moema, que é comandada pelo jovem engenheiro Marcelo Biagi e atua em São Paulo e Minas Gerais. “Nosso projeto prevê sete usinas e uma produção próxima a 17 milhões de toneladas de cana”, diz ele. Esse volume significa quase meia Cosan – a maior empresa do setor – e pode fazer com que a Moema chegue a valer, em bolsa, algo ao redor de R$ 3 bilhões. É esse também o valor que alguns estimam para a Unip, maior grupo educacional do País, caso o empresário João Carlos Di Genio opte por um IPO. Di Genio vem sendo assediado pelos banqueiros, mas ainda não se decidiu porque tem outra carta na manga. Neste ano, ele já recebeu duas propostas de grupos norte-americanos. Um de seus concorrentes, porém, irá à bolsa. É o grupo COC, que tem 220 mil alunos secundários e poderá valer algo em torno de R$ 1,5 bilhão.

Também esperam na fila da bolsa empresas de setores que estão indo de vendo em popa nestes tempos de bonança econômica – especialmente o financeiro e o de varejo. Nomes como Marítima Seguros, Sul América Seguros, Bicbanco, Banco Fibra, Banco Panamericano, Amil, Marisa e outros já aguardam na fila de registros da CVM. Dentre elas, a Brazilian Finance & Real State, holding de quatro empresas financeiro-imobiliárias ligadas ao Grupo Ourinvest: a Brazilian Mortgages, a Brazilian Capital, a Brazilian Securities e a BM Sua Casa. Comandadas por Fábio de Araújo Nogueira, elas reúnem um patrimônio líquido de R$ 400 milhões e possuem ativos de R$ 800 milhões. No Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, o setor imobiliário vive um boom sem precedentes, principalmente na área de habitações. Sinal dos tempos: a BM Sua Casa oferece crédito imobiliário e hipotecário com 30 anos de prazo e vários bancos de varejo estenderam suas linhas para 20 a 25 anos.

Do lado das empresas, é natural que todas corram para aproveitar a janela de oportunidade aberta pelo fenômeno “Ibovespa 60 mil”. Para os investidores, no entanto, o olhar deve ser outro – e bem mais cauteloso. Embora várias companhias que fizeram IPOs tenham apresentado valorização superior à do Índice Bovespa, muitas outras tiveram um desempenho sofrível. Dos 77 IPOs registrados pela bolsa desde 2004, 45 deles (58%) tiveram valorização inferior ao Ibovespa, sendo que algumas ações são vendidas a preços menores que os do lançamento.

E na comparação de companhias dos mesmos setores, há grandes variações. No mundo dos shopping centers, a BR Malls se saiu bem, mas as ações do grupo Iguatemi despencaram. Nos frigoríficos, o Marfrig subiu, enquanto a JBS, que controla o Friboi, perdeu para o Ibovespa (leia quadros abaixo).

Outra ponderação importante diz respeito ao preço dos ativos no Brasil. Com o Ibovespa acima de 60 mil pontos (na quinta-feira 27, fechou a 61.052), a questão relevante é: as ações bateram ou não no teto? Muitos acham que não.

UNIP
R$ 3 BILHÕES seria o valor do grupo de ensino do empresário João Carlos Di Genio

O Credit Suisse, por exemplo, projeta um índice a 66 mil pontos no fim do ano. O UBS, por sua vez, divulgou um relatório do estrategista Jeffrey Palma colocando o Brasil no topo da lista dos países emergentes mais atrativos. “Enquanto a seta dos Estados Unidos é para baixo, a do Brasil ainda é para cima”, avalia o economista Paulo Guedes, que fundou o Pactual e hoje é sócio da Fidúcia, uma gestora com R$ 1 bilhão em fundos. Guedes é um dos que acreditam na tese do decoupling, que significa descolamento, mas diz que o investidor deve apenas estar preparado para momentos de instabilidade. “Se as ações caírem lá fora, cairão aqui também porque os mercados são sincronizados”, diz ele. “Mas depois, enquanto o mundo andar de lado, o Brasil irá se recuperar.” O que há por trás disso é uma conjunção extraordinária de indicadores econômicos no Brasil, como as reservas internacionais de US$ 160 bilhões, os investimentos externos diretos em US$ 34 bilhões nos últimos dozes meses e a dívida interna cadente. Isso, sem falar em juros decrescentes, inflação dentro da meta de 4,5% e o crescimento do PIB na faixa dos 5%. “O mundo provavelmente irá nos ajudar menos a partir de 2008, mas isso não fará muita diferença”, garante o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

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